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O Apátrida

O Apátrida

Ontem estive na casa onde vivi por pouco mais de dois anos E que eu acreditava ser a realização de um sonho.   Tudo estava como antes exceto pelos espaços criados pelos objetos que já empacotei, por uma ou outra bolsa colocada nos corredores e principalmente pelo meu armário totalmente vazio. As minhas meninas estavam

Tempo de Leitura: 2 minutos

Ontem estive na casa onde vivi por pouco mais de dois anos

E que eu acreditava ser a realização de um sonho.

 

Tudo estava como antes exceto pelos espaços criados pelos objetos que já empacotei, por uma ou outra bolsa colocada nos corredores e principalmente pelo meu armário totalmente vazio.

As minhas meninas estavam me rodeando.

E pareciam perceber que ali não seria mais a casa delas e que em breve estarão em algum apartamento apertado, sem cor e sem vida.

E eu também.

Todos os móveis estavam no mesmo lugar. O mesmo cheiro de casa antiga e bem cuidada. 

Também observei o mesmo silêncio que me conquistou já na primeira noite, avistei a mesma vizinhança que desce preguiçosamente a rua sem perguntar nada e as mesmas plantinhas que, agora sim, estão sendo bem regadas pelas chuvas constantes que caem no bairro.

Porém, algo já não estava ali.

 

Eu.

Não consigo mais me imaginar morando ali ou mesmo varrendo o quintal como fazia pelas manhãs.

Meu raciocínio lógico já não consegue conciliar a felicidade que achei ter tido ali com o momento triste de me despedir daquilo tudo.

Como não consigo me imaginar mais morando com minha mãe no apartamento onde morei por vinte e três anos, talvez possa me intitular como uma espécie de apátrida moderno.

 

Apátrida é o sujeito que deixa de ter uma nacionalidade quando seu Estado

deixa de existir por qualquer motivo.

Pois bem, posso assim me definir.

Não pertenço mais ao apartamento onde passei minha infância, adolescência e juventude.

E agora percebo que também não pertenço ao “Estado” que fundei sete anos atrás.

Não me sinto mais pertencente àquilo que acreditei.

E passeando pela casa, observei coisas e aspectos que nunca havia dado atenção e finalmente enxerguei que nada dali eu perdi.

Absolutamente nada.

Na verdade eu ganhei a chance de recomeçar e tentar ser um alguém melhor.

E toda essa tristeza que venho carregando há meses, talvez anos, não faz mais parte de mim.

Não neste meu novo país.

Onde eu assino?

 


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