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Como são felizes, não?

Como são felizes, não?

Aqui onde moro não tem silêncio algum   Há um desespero imediatíssimo de berrar aos quatro cantos o preço do mamão papaia, do gosto musical duvidoso e das discussões que mantém todo casamento. Aqui há a necessidade de se auto afirmar pelo caos e pelo berro. Em alguns momentos só Sinatra me salva, lógico que

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Aqui onde moro não tem silêncio algum

 

Há um desespero imediatíssimo de berrar aos quatro cantos o preço do mamão papaia, do gosto musical duvidoso e das discussões que mantém todo casamento.

Aqui há a necessidade de se auto afirmar pelo caos e pelo berro.
Em alguns momentos só Sinatra me salva, lógico que acompanhado de um bom par de fones de ouvido.

Aqui se berra pela janela para trocar receitas de bolo ou apenas para  chamar alguém.
Aposentando e colocando em desuso o até então bom e velho interfone.

Aqui não existe qualquer regra de educação.
Pensam que abandonando o lixo do churrasco no chão do prédio fazem um enorme favor mantendo o emprego do funcionário da limpeza.

Aqui deixamos a portaria aberta em qualquer horário.
Afinal vivemos em um lugar de segurança máxima em que as taxas de criminalidade são baixíssimas, não?

Aqui se faz festa todo fim de semana.
Com chuva ou com sol toda a felicidade em se socializar com quem mal conhecemos é colocada pra fora neste ritual de descarrego comunitário.

Como são felizes, não?

 


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Fabio Pires
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