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E quando consegui observar o vento

E quando consegui observar o vento

Uma simples e inofensiva rajada de vento me levou longe  E então me reapresentou algumas memórias de infância, que hoje percebi de outra maneira   Hoje pela manhã enquanto tomava meu café observando seu tom cada vez mais anêmico, escutava as descompassadas marteladas da obra que eternamente acontece no prédio aonde moro, me veio ao

Tempo de Leitura: 2 minutos

Uma simples e inofensiva rajada de vento me levou longe

 E então me reapresentou algumas memórias de infância, que hoje percebi de outra maneira

 

Hoje pela manhã enquanto tomava meu café observando seu tom cada vez mais anêmico, escutava as descompassadas marteladas da obra que eternamente acontece no prédio aonde moro, me veio ao rosto um vento leve.
Não tão leve quanto uma brisa, mas forte o bastante para trazer muitas lembranças dos meus tempos de moleque.
Aquele vento que você sabe que, em algum momento, vai trazer chuva.
Mas não aquelas que destroem tudo por onde passa, mas sim aquelas que reconstroem cada segundo de momentos quase perdidos na memória.
Consegui me recordar de forma saudosista dos fins de semana em Araruama na casa que minha família passava os fins de semana, em que eu ficava solto o dia inteiro correndo, jogando bola com a molecada local, soltando pipa com meu pai, subindo em árvores, comendo laranja, carambola, caju entre outras tantas frutas diretamente do pé, colocando a boiada para correr ou catando esterco seco para servir de adubo.
Sentir a terra por entre os dedos dos pés enquanto corria pelas estradas desta então pequena cidade da Região dos Lagos é uma daquelas sensações que percebi que sinto falta.

 

Só não entendo como nunca o havia percebido antes.

 

Imagino que possa colocar a culpa na correria do dia a dia.
Mas prefiro dizer que eu sempre fui muito descuidado com minha vida pessoal.
Seja com minhas relações pessoais, com minha saúde ou comigo mesmo como um todo.
Coloquei por anos a culpa em tudo que me rodeia, sem me observar, sem me olhar no espelho.
Reclamei por ter demais e reclamei por ter de menos.
Talvez eu possa também colocar uma grande parte de nós nessa conta?
Só para não ficar sozinho e dividir a culpa.

 

 

E aquele vento que não sai da minha cabeça.

Toda hora coloco a cara na janela na esperança de sentir novamente.

Talvez depois do Jornal da Tarde ele volte com o final do dia e das preocupações.

E junto dele a mesmice.

Não, melhor deixá-lo vir quando realmente tiver algo a me dizer.

E eu esteja preparado para ouvir. E para percebê-lo.

 

E isso tudo por causa de um vento diferente do habitual que percebi.

Secamente dizendo, acredito que não o tenha percebido antes por absoluta falta de sensibilidade e talvez o tenha deixado passar batido por entre todas as obrigações que tratamos como prioridade.

Esse vento, provavelmente sempre esteve por aqui.

Eu que não.


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Fabio Pires
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