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O inferno visto da janela – Parte 1

O inferno visto da janela – Parte 1

Este é um esboço de um livro do qual não passei da página 20. Um dia talvez o termine   Tento abrir meus olhos, entretanto esta maldita luz branca me cega. E ainda não tenho a menor ideia de onde esteja ou o que possa ter acontecido. Somente percebo um incômodo muito distante e agudo

Tempo de Leitura: 2 minutos

Este é um esboço de um livro do qual não passei da página 20.

Um dia talvez o termine

 

Tento abrir meus olhos, entretanto esta maldita luz branca me cega.

E ainda não tenho a menor ideia de onde esteja ou o que possa ter acontecido.

Somente percebo um incômodo muito distante e agudo em minha cabeça que me fez perceber que minhas pernas não querem me obedecer.

Luzes, Luzes e mais luzes.

Luz para caralho na verdade, que me atrapalha em perceber uma direção e que consequentemente me bloqueia, como se me empurrasse para o chão.

Também percebo as muitas vozes que não respeitam nenhuma regra de comunicação e que por não se intercalarem não chegam a um comum acordo enquanto se misturam as buzinas e ao ronco de carros que parecem estar muito próximos de mim.

Sinto o calor deles e o atrito do asfalto.

Isso sem mencionar na chuva que teima em cair no meu rosto.

Uma destas vozes certamente é da minha mãe.

Lembro bem dela desesperada quando quebrei meu braço direito aos seis anos após subir em uma mangueira.

Já as outras vozes estas eu pude perceber que se contrapõem ao que o choro da minha mãe pedia.

Tudo isso no campo do achismo porque ainda não consegui vencer esta maldita luz branca estourando em cima de mim e que me impede de abrir meus olhos.

E também porque minha cabeça está no mesmo nível do restante do corpo o que não facilita a minha visão geral.


luz forte


E nada de sentir minhas pernas.

Maldito cheiro de éter aqui. Como conseguem respirar isso?

O pior é que não sei o que houve, não consigo ver as pessoas e nem onde estou. 

Percebo meu pensamento fluir na mesma velocidade de antes, apesar desta dor maldita no topo da minha cabeça frear parte do que penso, porém não há força motora que faça meus lábios se moverem.

Inferno! O que houve?

Reconheço a mistura de odores.

Sangue com aquele maldito cheiro de hospital que paira no ambiente, mas estou tão sem norte que não consigo imaginar o que houve, só sei que o choro de minha mãe atravessa cada vez mais alto os meus ouvidos e me parece cada vez mais perto.

Sinto mãos passeando pelo meu tórax, braços e rosto e me apertam fortemente,

Muitas mãos. Muitas mesmo.

Acho que eles estão tão preocupados comigo quanto minha mãe que nem perceberam que tento abrir os olhos, sem conseguir.

E falam, falam e falam tão alto e tão rápido que não entendo uma só palavra. 

Eu tento, mas não consigo.

Branco, branco e mais branco me cegando, mesmo assim eu pareço entender tudo mas de olhos fechados.

 

Continua.

O que me diz?

 

Fabio Pires
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