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A negligenciada luz no caos – Parte 2

A negligenciada luz no caos – Parte 2

Esta é a segunda parte de uma história real e que com certeza acontece em toda parte. Talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça. Em todas elas com a negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos   O dono da espelunca já recolhia suas velhas cadeiras descascadas

Tempo de Leitura: 2 minutos

Esta é a segunda parte de uma história real e que com certeza acontece em toda parte.

Talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça.

Em todas elas com a negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos

 

O dono da espelunca já recolhia suas velhas cadeiras descascadas quando Sebastião se levantou cambaleante e pagou com sua última nota de cinquenta a garrafa que deveria custar no máximo uns dez e sem esperar pelo troco (para quê?) procurou pelos velhos da mesa de sinuca.

Não os avistou mais. Concentraram-se tanto em silêncio que nem o fim do jogo chamou sua atenção na mesa a uns poucos metros de distância.

Certo dia em sua existência cobiçou ser assim.

Imperceptível, insignificante e diminuto principalmente diante de críticas.

Mas isso, ele já o era. Só não havia percebido antes.

Mas para quê pensar nisso agora já que se declarava caso perdido?

Não almejava nada convencional.

Sua vida inteira já tinha sido bastante convencional.

Casamento, filhos, trabalho de oito às cinco, contas atrasadas, brigas, dinheiro escasso, bebedeiras, mais brigas, divórcio, abandono e abandonado.

Assim como quase todos ou provavelmente quase todos.

Tateou a porta do seu velho carro e com certa dificuldade a abriu, quando se sentou de frente ao volante não viu ninguém sentado no banco do carona.

Vazio. Como sempre.

As portas abertas pelo álcool se tornaram mais nítidas quando Sebastião rompeu o silêncio com o choro baixo que cismava em escapulir. Não via mais razão para continuar se nem ele mesmo compreendia porque ainda estava ali, nem mesmo enxergava as consequências para o que pensava há meses consumar.

Para quê continuar nesta rua sem saída?

Tentava enganar sua tristeza com o silêncio. 

Chave na ignição curiosamente acertada de primeira.

Respiração profunda e ofegante.

“Gire a chave porra!” disse para si mesmo.

Continua…
Essa foto foda é da galeria do Henry Gretzinger.

Gostaria muito de saber o que você achou!

 

Fabio Pires
ADMINISTRATOR
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