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A negligenciada luz no caos – Parte 3

A negligenciada luz no caos – Parte 3

Esta é a terceira parte de uma história real e talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça. Em todas elas com A negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos   Partida dada e o ronco preguiçoso de seu carro cortava o canto de um galo perdido em alguma

Tempo de Leitura: 2 minutos

Esta é a terceira parte de uma história real e talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça.

Em todas elas com A negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos

 

Partida dada e o ronco preguiçoso de seu carro cortava o canto de um galo perdido em alguma casa das redondezas,

Em seguida pensou convictamente na avenida principal que deveria estar deserta a esta hora e como consequência não envolveria mais ninguém.

Bastava o poste em frente à distribuidora de gás, o muro da fábrica de cordas e acessórios da Marinha ou quem sabe a ribanceira que finaliza a já citada avenida.

Teria que ter a exatidão que a morte necessitava para levá-lo.

Se odiaria mais ainda se tivesse que depender fisicamente de alguém,  já que psicologicamente já se sentia um aleijado.

A distância gigantesca para o hospital mais próximo também foi um dos motivos para escolher tal lugar.

Até nisso conseguiu ser metódico.

 

Primeira marcha e ele e seu carro se moveram sem muita convicção do que realmente queriam,

Já a segunda marcha engatada lhe colocava na rua anterior a avenida que seria seu destino final,

Quando jogou a terceira marcha finalmente conseguiu definir a única razão por não ter simplificado sua partida:

 

Medo.

Não se via corajoso o suficiente para colocar veneno em sua bebida tanto quanto forte o bastante para se enforcar, assim como sequer cogitara cortar seus pulsos.

A quarta marcha já o colocava na entrada da avenida principal e ainda que embriagado conseguia manter seu carro ligado.

Porém nunca em linha reta.

Nunca convicto.

 

Curva curta à direita e o seu Ford 89 surrado que pelo tempo e pelos donos desleixados que teve, seria mais um que terminaria seu sofrimento.

Quinta marcha e o seu carro chacoalhava a ponto de pensar que iria desmontar assim que atingiu os 110 km/h.

Ainda assim pisava o mais fundo que conseguia, inegavelmente com raiva por não conseguir imprimir mais velocidade.

Com os dentes trincados e também sentindo raiva de si mesmo, avistou no fundo do seu retrovisor sujo e cheio de manchas um desses carrões importados.

Um destes que mesmo juntando todos seus holerites sem gastar um único centavo, ele inegavelmente não seria capaz de adquirir.

Um destes que aprendeu a sentir raiva, tanto dos carros quanto dos donos, unicamente pelo mesmo motivo.

Muitas vezes sentia indignação por alguém possuir um carro tão caro em outras desejava ardentemente ser um deles.

Sentimentos confusos ele sabia.

Assim como a mistura de raiva e medo que ainda assim sentia.

 

Continua…

Imagem por Free images.


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Fabio Pires
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