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Memórias de mais um Dia das crianças

Memórias de mais um Dia das crianças

É o dia das crianças. E daí consegui reunir algumas lembranças da minha infância.   Antes de montar este texto estava me lembrando de que nas férias eu passava praticamente o dia inteiro na rua. Brincando de pique. Comendo frutas do pé. Jogando bola. Tocando campainha dos vizinhos e correndo. Bolinha de gude. Corrida de chapinhas.

Tempo de Leitura: 3 minutos

É o dia das crianças.

E daí consegui reunir algumas lembranças da minha infância.

 

Antes de montar este texto estava me lembrando de que nas férias eu passava praticamente o dia inteiro na rua.

Brincando de pique.

Comendo frutas do pé.

Jogando bola.

Tocando campainha dos vizinhos e correndo.

Bolinha de gude.

Corrida de chapinhas.

Campeonatos de futebol de botão e etc.

 

Brincávamos na rua!!!

Entretanto não vou de maneira saudosista defender que na minha época era melhor, até mesmo porque acho total e inútil perda de tempo visto que cada tempo tem suas próprias características.

Nada me tira da memória (viva!) de que eu chegava em casa invariavelmente com uma crosta de sujeira nos pés. Crosta essa que só era retirada com buchas pesadas e grossas esfregadas como se fossem arrancar a sola dos pés.

As roupas seguiam a mesma linha dos pés e tinham que ser colocadas de molho e serem desencardidas.

Não lembro sinceramente se almoçávamos em casa porque além das frutas que citei roubávamos com frequência as oferendas de esquina deixadas pelos espíritas.

Lógico que sempre com a desfaçatez infantil travestida de respeito, pedindo “licença” pro santo antes de bebermos seu guaraná ou comermos as guloseimas.

Só pra deixar registrado nenhum deles veio me castigar por estes pequenos furtos. 

Não que eu saiba, lógico.

 


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Lembro bem das inúmeras vezes que fui colocado de castigo pela minha mãe.

E pelos mais variados motivos e para simplificar esta parte posso afirmar que eu me esforçava para isso.

E muito.

Sintetizando: Como eu fazia merda. 

Menção honrosa a minha mãe que devia ter uma espécie de imã, sexto sentido ou alarme que a fazia flagrar muitas das minhas traquinagens.

Recordo das várias vezes que quebrei lâmpadas do pilotis por jogar bola no lugar onde tinham avisos justamente proibindo tal prática.

E em uma destas vezes recordo de correr alucinadamente como um Forrest Gump desesperado com minha mãe falando a fatídica frase:

Se correr vai ser pior!

O sentido de sobrevivência me fez continuar correndo e realmente minha mãe não estava mentindo.

Foi bem pior.

 

Me recordo da escolinha primária que frequentei.

E que nesta escola havia uma árvore que dela saía um frutinho chamado pó de mico que quando passado no corpo desencadeava uma coceira desgraçada.

E lógico que dentro da já conhecida crueldade infantil muitos eram alvos com vários frutinhos destes jogados dentro das calças.

Neste caso fui alvo e também causador em algumas vezes.

Me veio à memória sair por um dia inteiro atrás de doces no dia de São Cosme e São Damião. Sumia no mapa e voltava com vários sacos de doces cujos nomes podem soar estranhos aos mais novos:

Pirú de velho, Cocô de rato, Maria Mole, Baba de moça e Pé de moleque foram os que consegui lembrar. E estes enchiam a geladeira por semanas sendo que não havia nenhuma preocupação com peso e nem com consumo excessivo de açúcar.

 


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Percebi que vivíamos sem nenhuma preocupação com o amanhã.

Lembro também da minha primeira vez no Maracanã e da minha falta de palavras para definir o quão enorme ele me aparecia aos olhos. 

Em outro momento apareceu na memória meu primeiro beijo, escondidos na lixeira do prédio em que morávamos.

Também lembro das inúmeras vezes que fugi da missa de domingo para jogar bola.

Da primeira ida ao cinema em companhia dos colegas de escola, com a carteirinha alterada para que “pudesse ter 14 anos” sendo que esse aparato todo para assistir Rambo (Sim, eu gosto do Stallone até hoje).

Nunca fui dos mais saudosistas, porém é inevitável não sentir falta deste descompromisso e também de me arrepender em querer virar adulto logo.

Isso tudo para fazer coisas de adulto e que muitas delas são coisas que hoje adoraria não ter que fazer ou sentir.

Sinto falta do pouco a ser pensado.

 

Ah se eu soubesse…

Se soubesse que teria muito mais peso a carregar do que a mochila da escola e que cada conselho ou aviso da minha mãe voltaria quase como profecia.

Se entendesse que meus sonhos eram rasos e ingênuos contudo ainda hoje me arrancam sorrisos ao lembrar deles e que para cada julgamento que desferi contra alguém eu seria atingido por outro mais intenso.

E se compreendesse que podíamos nos odiar tanto juro que teria ido embora quando tive a chance e que esta primeira metade da minha vida ditaria o ritmo do restante dos meus anos.

Se imaginasse que minhas escolhas apresentam seus efeitos só muito tempo depois e que meus desejos mais ocultos nada mais são que formas de escapismo.

Se considerasse que mesmo adulto ainda teria regras ditadas por outros adultos e que nunca seria livre efetivamente.

E se percebesse o que sei hoje focaria em ser um adulto com alma de criança e que o menor dos meus problemas era arrancar a crosta de sujeira dos meus pés e curiosamente hoje a lembrança daquela crosta de sujeira é o que mais sinto falta.

 

Foto por Dreamstime.


E do que você se recorda?

 

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