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Fanáticos odeiam as humanidades porque elas refletem o monstro que os habita por Andre Azevedo da Fonseca

Fanáticos odeiam as humanidades porque elas refletem o monstro que os habita por Andre Azevedo da Fonseca

As humanidades sempre tiveram um papel civilizatório. Quando a ciência despreza as reflexões éticas da Filosofia, Não é incomum que a eficiência técnica seja empregada para fins desumanos. A engenharia do holocausto foi muito eficiente.   Com a História, aprendemos que as sociedades se transformam permanentemente pela reflexão e ação (praxis) de sujeitos que não

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As humanidades sempre tiveram um papel civilizatório.

Quando a ciência despreza as reflexões éticas da Filosofia,

Não é incomum que a eficiência técnica seja empregada para fins desumanos.

A engenharia do holocausto foi muito eficiente.

 

Com a História, aprendemos que as sociedades se transformam permanentemente pela reflexão e ação (praxis) de sujeitos que não necessariamente sabem muito bem onde querem chegar.

Sujeitos cujos projetos são interrompidos por outros sujeitos igualmente perplexos.

 

Mas o objetivo do estudo da história não é, como às vezes dizem, “aprender com os erros do passado para evitá-los no futuro”.

Ora, um evento semelhante em contextos históricos diferentes provoca efeitos absolutamente distintos.

Ao contrário de uma experiência em laboratório, não é possível verificar o que aconteceria se um determinado acontecimento fosse inserido em um determinado tempo.

Tampouco conseguimos repetir a mesma experiência histórica, com os mesmos personagens e o mesmo contexto, para verificar se os resultados da análise se confirmam

 

Estudamos para desenvolver a consciência de que a história está repleta de possibilidades.

Que agimos condicionados pelo nosso tempo e não somos capazes de prever o futuro, pois a história é instável e as consequências de nossas ações no presente são não apenas imprevisíveis mas, frequentemente, inconcebíveis.

Mas claro, a história ensina que, se somos condicionados pela realidade, não somos determinados por ela.

Não há um destino guiando a humanidade: é a humanidade que se constrói, aos trancos e barrancos.

Por isso, não há uma evolução, pois a história não tem um rumo, ou um fim.

A história é feita de dramas que nós construímos com a nossa ação ou inação.

 

As artes, incluindo as letras, são temidas pelos fanáticos porque elas nos ensinam que nosso pensamento circula nos limites da nossa linguagem.

Ou seja, não há uma verdade translúcida, definitiva e independente dos recursos de linguagem que a humanidade elaborou para descrever e analisar o que os seus sentidos contavam da realidade.

Se queremos nos desenvolver, se queremos compreender a condição humana, se desejamos o avanço da ciência, e até mesmo, se queremos compreender as mensagens religiosas com mais sensibilidade, é indispensável formular e refinar permanentemente as próprias linguagens capazes de construir e expressar o pensamento em transformação.

 

Em tempos de mudanças culturais, sociais e tecnológicas cada vez mais aceleradas…

… As artes parecem particularmente confusas, mas na verdade apenas se esforçam para expressar essa perplexidade e contribuir no processo de compreensão.

Nem que seja através da expressão das dúvidas.

 

Fundamentalistas odeiam as humanidades porque estão convictos de que já têm a resposta.

Odeiam a Filosofia porque imaginam que isso os distrai do caminho já traçado.

Odeiam a História pelo mesmo motivo.

E odeiam particularmente as artes porque elas refletem o monstro os habita.

 

Originalmente em medium.com.


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Fabio Pires
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