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Tempo de Leitura: 2 minutos

Vagando (disfarçando) pela livraria

Vagando (disfarçando) pela livraria

Na livraria entrou tentando disfarçar para onde ia realmente. Ajeitando o cabelo desgrenhado e a falta de traquejo, lentamente caminhou pela sessão de filosofia contemporânea onde avistou e folheou alguma coisa de Foucault e Bauman. Nada entendeu muita coisa e nem fez muita questão. Em seguida imaginou com qual intuito alguém compraria um estudo avançado

Tempo de Leitura: 2 minutos

Na livraria entrou tentando disfarçar para onde ia realmente.

Ajeitando o cabelo desgrenhado e a falta de traquejo, lentamente caminhou pela sessão de filosofia contemporânea onde avistou e folheou alguma coisa de Foucault e Bauman. Nada entendeu muita coisa e nem fez muita questão.
Em seguida imaginou com qual intuito alguém compraria um estudo avançado sobre o Tratado de Tordesilhas. Para quê?
Passou batido pela sessão de História Medieval, assim como pela papelaria abusadamente chamativa e colorida como se fosse um bloco de carnaval. Um mundo de canetas marca-texto.
Seguidamente mexeu no seu óculos de aro de tartaruga (vintage!) fingiu interesse em literatura israelense e em seguida folheou com cuidado um exemplar da Ilíada, porém o achou muito pesado em todos os sentidos e o devolveu a prateleira.

Avistou na cafeteria aquilo que julgava que o deixaria mais culto e elegante.

Após uma fumegante xícara de café cowboy, algumas cruzadas de pernas e alguns olhares por cima dos óculos decidiu flertar de leve com os malditos Baudelaire, Kerouac e Ginsberg.
Observou todos aqueles livros na gôndola de promoção e consequentemente imaginou se usavam naftalinas para mantê-los ali.
Usando o Google, inutilmente, tentou contabilizar quantas árvores teriam sido derrubadas só para compor esta livraria gigante.
Reconheceu, porém manteve distância de  Graciliano Ramos e de Jorge Amado na área reservada aos nacionais. Ouviu falar que eram comunistas!
Sentiu falta de Lobato, Cecília, Raquel e Drummond, mas na verdade mesmo nem se deu ao trabalho de procurá-los. Deviam estar por aí.
Teve lembranças de adolescência quando avistou uma sessão inteira dedicada a Machado e tentou entender a razão de obrigar as crianças a lê-lo.

Schopenhauer

Lembrou do dia que tentou (e logo desistiu) decifrar as frases longas, a descrição detalhista e a falta de pontuação de Saramago.
Desdenhou como um intelectual de um exemplar da Bíblia.
Dissimulando, assobiando e fingindo olhar para o alto passou reto por Paulo Coelho.
Finalmente não havia ninguém por perto e pôde escolher dentre as várias opções do que veio buscar. E assim entendeu que o que mais queria era ter coragem suficiente de fazer uma piscina de exemplares de autoajuda.
E daí em seguida poderia acreditar firmemente, que com a ajuda de mantras repetidos a exaustão, que no final TUDO DARIA CERTO.
Mesmo que a imagem gigante de Schopenhauer na entrada da loja lhe dissesse justamente o contrário.
Ô cara pessimista!


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