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Meu Maracanã de moleque

Meu Maracanã de moleque

  Para quem tem menos de 20 anos falar em antigo Maracanã Tem que ser seguido de uma explicação mais detalhada do que se tratava.   Afinal passava longe do conforto que hoje proporciona ou que ao menos deveria proporcionar. Nada de cadeiras para bumbuns gourmetizados, afinal todos sentávamos no concreto do maior do mundo. Sentávamos

Tempo de Leitura: 3 minutos

 

Para quem tem menos de 20 anos falar em antigo Maracanã

Tem que ser seguido de uma explicação mais detalhada do que se tratava.

 

Afinal passava longe do conforto que hoje proporciona ou que ao menos deveria proporcionar.

Nada de cadeiras para bumbuns gourmetizados, afinal todos sentávamos no concreto do maior do mundo. Sentávamos em tese, porque nas organizadas se ouvia quase como imposição os berros: “Levanta, pula e canta junto!”. Eram 90 minutos de exercícios aeróbicos só cortados pelo ataque do adversário.

Lanche se resumia ao antigo cachorro quente Geneal com mate Leão por preços bem abaixo dos extorsivos praticados hoje em dia. Cachorro quente que constava apenas pão e salsicha, às vezes catchup aguado muito diferente dos diminutos sachês de hoje.

 


Cachorro quente Geneal era clássico no Maracanã

Esta foto não foi da época que fui ao Maracanã, só lembrando disso.


 

Havia a Geral!

Este um lugar do qual habitavam os seres mais inusitados e divertidos do estádio e que ficavam colados no gramado queimando a orelha dos técnicos com xingamentos e berros enlouquecidos. Isso tudo pagando um preço mínimo. Essa era a única maneira de extravasar suas frustrações e podíamos dizer que era a terapia mais barata para a então classe D. Hoje não mais existe elitizando mais ainda um esporte que já fora popular.

Sei que muitas destas mudanças foram feitas com intuito de melhorar a segurança no estádio que já estava bem defasado e antigo, eu sei.

Ainda assim me reservo o direito de compreender o moderno, mas com saudades da simplicidade do antigo.  

 


Meu maracanã de moleque

A festa da Geral do Maracanã. Foto: Arquivo Nacional.


 

Concordo com o antigo craque e hoje colunista PC Caju quando ele disse que o Maracanã de templo virou boutique e pude constatar isso na única vez (show do Foo Fighters) que fui ao novo formato do estádio. Era qualquer estádio menos o Maracanã.

Salvo alguém me acusar de saudosista lembro que sei usar um pen drive e hoje até assisto a algumas partidas através do celular.

 

Mas o que quero falar é sobre a minha primeira memória no Maracanã, isso sem levar em conta quando minha mãe me levou para assistir a uma chegada do Papai Noel (!)

Falo de quando meu pai me levou a um Vasco x Fluminense em uma época que o cruzmaltino não ganhava nada dos tricolores. Absolutamente nada. Caso o Fluminense decidisse escalar onze cones com a camisa tricolor era bem capaz de ganhar.

Em 1984 eu tinha oito anos e era um ano movimentado com a inauguração do Sambódromo, com Tancredo definido como candidato em eleição indireta para presidente e pelas Olimpíadas em Los Angeles.

Ano memorável também por ser o ano que operei hérnia e como não conseguia dormir com os pontos da operação assisti aos jogos Olímpicos na íntegra madrugada a dentro.

 


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Mas voltando ao tema.

Lembro que fiquei absolutamente deslumbrado com o tamanho do estádio, a sua imponência, os gritos e cantos das torcidas e o repertório vasto de novos palavrões que incorporava aos que já dominava com maestria apesar da pouca idade.

Tinha também a habilidade recém-descoberta que tinha de desviar dos copos com urina jogados de volta pelos geraldinos, assim como a total falta de habilidade no manejo de uma pequena bandeira vascaína que acertei algumas vezes na cabeça do meu pai.

Tudo ali era novo e esse novo me deixava arrepiado a cada nuvem de pó de arroz que era lançada do outro lado do estádio, assim como do festival de bandeiras gigantes das organizadas vascaínas num balé sincronizado apesar de não ensaiado.

Era lindo demais e tudo fica muito mais lindo aos olhares de um moleque boleiro de oito anos que finalmente conseguia ver aquilo que imaginava quando ouvia o jogo pelo rádio.

Tão vidrado naquilo que sabia de cor as escalações das duas equipes e com uma simplicidade – ou ingenuidade?- já sabia de antemão quais eram as soluções no banco de reservas.

 

2×0 pro Fluminense e nada do Dinamite, do Mauricinho ou do Geovani resolverem algo pro Vasco e logo meu pai achou um culpado:

“Porra moleque, tu é pé frio demais, meu filho”.

Verdade seja dita, eu só vi o meu Vasco ganhar no Maracanã na terceira vez que lá fui.

Ah! E se me chamarem de nostálgico darei de ombros, afinal nostalgia ainda não é crime algum.

Nostalgia talvez seja a o resultado final de uma garrafa de vinho esvaziada.

Ou, quem sabe, a lembrança de quem viveu algo que possa ser lembrado com a certeza que não será mais vivido.

Nunca mais.


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