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Tempo de Leitura: 4 minutos

Quem é filho da puta vai continuar sendo filho da puta

Quem é filho da puta vai continuar sendo filho da puta

Sugestão de música para a leitura: STATUES ON FIRE – NO TOMORROW.   Os dias se parecem iguais quando estamos em quarentena. Sexta parece segunda que é igualzinha ao domingo e parece que a rotina os faz manter a mesma aparência. Feito esta pequena ressalva em uma destas semanas de quarentena (que já não sei qual),

Tempo de Leitura: 4 minutos

Sugestão de música para a leitura: STATUES ON FIRE – NO TOMORROW.

 

Os dias se parecem iguais quando estamos em quarentena.
Sexta parece segunda que é igualzinha ao domingo e parece que a rotina os faz manter a mesma aparência.

Feito esta pequena ressalva em uma destas semanas de quarentena (que já não sei qual), assisti ao historiador Leandro Karnal em um bate papo com quatro jornalistas na CNN Brasil sobre os efeitos da quarentena e principalmente em como seríamos no pós-pandemia. Mais que um mero exercício de futurologia, pois estava baseado no que já passamos com os dados e critérios de hoje.

Dentre vários assuntos e pontos de vista tratados tentando traçar possíveis caminhos para quando isso tudo passar vou me ater, mais uma vez, ao comportamental que é o que nos afeta direta e diariamente.

O comportamental neste caso falo do entregador que insiste em trabalhar sem máscara, o vizinho que dá festa recebendo todos os amigos e família, as “explosões” de raiva ou de descontentamento nas redes sociais que cada um de nós observa todo dia, assim como vemos os shoppings cheios no momento que forçam uma reabertura do comércio em pleno pico da doença. E também o quanto ficamos agressivos por estarmos presos enquanto outros tantos estão cagando para a quarentena.

Tudo isso suga nossas energias, cansa e cria desesperança, eu sei. Faz com que muitos evitem os noticiários, algumas redes sociais ou mesmo grupos de Whatsapp.
Como me habituei a dizer aqui em casa quando não aguento mais: Hoje tirei folga da desgraça.

Mas não adianta. Logo depois voltamos a uma realidade cada vez mais estreita e sufocante porque a impressão que passa é que só piora. Parece que nunca mais teremos um só dia de paz.

As entrevistadoras tentaram em algum momento puxar para o lado de mudança radical e profunda na maneira como passaremos a nos enxergar, com possibilidades de termos mais respeito pelo próximo e por aí vai.
Otimistas demais pensei.
Mas, diria você leitor mais atento, eu nunca fui tão otimista assim como o seria agora? Justamente agora.
Talvez você tenha razão. Talvez. 

 

Puro duelo entre expectativa e realidade.

A pandemia só revelou o que muita gente entre nós de fato é.
O que de fato o brasileiro médio tem dentro de si, além de um escondido desprezo pelas classes mais baixas.
E baseado no tanto de cenas grotescas que são produzidas todo dia por aqueles que fazem força (ou de maneira automática também) em não respeitar a dor alheia e o total desconhecimento da palavra empatia.

Nisso o, muitas vezes irônico, educador não usou estas palavras que usarei aqui para descrever uma linha de raciocínio que ficou muita clara para mim:
Quem é filho da puta vai continuar sendo filho da puta durante e após a pandemia.
Isso porque já o era antes.
Bingo!
E fazendo um exercício rápido compreendi que são poucos aqueles que de fato aprendem em tempos de escassez e dificuldade com esse.

 

Frustração e ressentimento.

Neste momento delicado já vimos desvios de verbas destinados à compra de respiradores e insumos, hospitais de campanha nunca prontos, vendas superfaturadas, governadores com processo de impeachment aberto, vimos presidente receitando remédio ineficaz e que pode inclusive levar a morte e tivemos o mesmo presidente mudando de Ministro da Saúde duas vezes e isso tudo no meio desse furacão chamado pandemia.

Assim como observamos ainda este mesmo ser abjeto estimulando aglomerações e protestos contra a democracia e seu Ministro do Meio Ambiente querendo se aproveitar que a mídia dava atenção a pandemia para passar pautas de caráter duvidoso sem que a opinião pública percebesse.
Um auxílio minúsculo de 600 reais que pelo Ministro da Economia seria de 200 em que para receber a população precisou se AGLOMERAR!

E agora vemos os números de mortos e infectados sendo manipulados para que assim a pandemia pareça menor do que é. Isso sem mencionar a subnotificação e uma secretaria de governo que comemora o fato da maioria dos mortos serem idosos para que desonere a previdência.

Ufa! Não disse que podia piorar?

Lógico que só citei aquilo que consegui me lembrar porque de certo poderia ficar o dia todo listando as cagadas feitas nas três esferas do poder executivo.
E isso com defesa de parte dessa mesma população afetada!

 

Como explicar de maneira racional este fenômeno?

A partir desse raciocínio me restam mais dúvidas que propriamente respostas, mesmo que lá no fundo eu tenha as minhas respostas.
Apenas minhas.
Você por acaso se lembra do último dia que conseguiu dormir em paz?
Ou deitou a cabeça no travesseiro pensando: E amanhã que merda eles vão aprontar?

Quem se beneficia com esse pandemônio político criado como cortina de fumaça?
Ou com esse ambiente de guerra e de campanha politica que não termina?

Estaríamos em volta de uma espécie de negacionismo clássico de quem ignora fatos simples ou em mais uma demonstração da moral duvidosa que assola parte dos brasileiros?
Se trata de um plano político ou estupidez pura e simples?

Eugenia, genocídio e fascismo foram combatidos como palavras fortes demais, eu mesmo escutei a frase: “Você não acha que esteja exagerando?”
Ainda posso ser tachado de exagerado?
Ou precisa da reativação do DOPS para acordarem?

Quem relativiza a vida merece algum tipo de consideração ou mesmo respeito?
Uma espécie de releitura do paradoxo da tolerância de Popper caberia?

Lembra dos terraplanistas? Hoje eles não passam de piadistas de gosto duvidoso e sem perigo iminente.
Será que teremos pós-pandemia? Ou essa será nossa nova realidade?

E depois da quarta caneca de café e ainda com pena do Karnal por não poder falar tudo que de fato pensa e esconde com palavras menos diretas por estar em um grande meio de comunicação, só continuo com uma certeza:
Continuaremos sendo quem sempre fomos, afinal filho da puta não se modifica por nada.
Uns tiraram o véu, já outros ainda se escondem no armário.
Mas a porta está se abrindo.

 


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4 Comentários

  • Fabio RodriguesFabiz
    12 de junho de 2020, 18:30

    Acordar em paz depois de uma noite bem dormida…taí 2 coisas que não faço a mais remota idéia da última vez que consegui desfrutar

    REPLY
  • Leonardo Vichi
    12 de junho de 2020, 22:21

    Fábio, texto perfeito! Duas coisas que há muito tempo não faço… dormir direto e acordar em paz. Em boa parte a culpa disso tem sido, a cada dia que passa, menos do covid-19 e mais das pessoas e da política do Brasil. Esse governo tem sido o filtro a revelar tudo oq há de pior no Brasileiro… infelizmente.

    Bravíssimo texto, parabéns!

    REPLY

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