728 x 90
Tempo de Leitura: 3 minutos

O “se” que escancara o preconceito

O “se” que escancara o preconceito

Sugestão para ouvir enquanto lê: Criolo- Boca de Lobo.   Se conjunção subordinativa Trata-se de uma conjunção: que introduz fato da qual se depende de algo, Ou seja, há uma abertura a possibilidade.   Esta é, dentre outras, uma das definições desta palavra. E quando a pergunta: “Quantas vezes você negaria Jesus SE ele voltasse

Tempo de Leitura: 3 minutos

Sugestão para ouvir enquanto lê: Criolo- Boca de Lobo.

 

Se

conjunção subordinativa
Trata-se de uma conjunção: que introduz fato da qual se depende de algo,

Ou seja, há uma abertura a possibilidade.

 

Esta é, dentre outras, uma das definições desta palavra.

E quando a pergunta: “Quantas vezes você negaria Jesus SE ele voltasse gay?” aparece na time line facilmente se identifica uma interrogação direta.

Sem firulas.

Sem espaço para falso moralismo e marchando direto a uma auto crítica.

E quando postei esta pergunta (com um desenho bem chamativo) assumi a intenção de provocar questionamentos e desfraldar preconceitos escondidos ou camuflados, mas antes de tudo de incitar uma profunda reflexão.

 

Poucos de fato responderam a questão em si.

E pelas reações enfurecidas percebi que em nada aprenderam com os ensinamentos daquele próprio que dizem seguir e que alguns defendem tão ferrenhamente mesmo sem procuração alguma para tal.

Para estes é inadmissível que Jesus (aquele mesmo que pregava amor e perdão, lembra?) não pudesse ser diferente daquilo que lhes foi projetado por toda sua vida.

Resumido a um modelo pré- fabricado, europeizado com seus olhos azuis e pele branca. Bem diferente do homem que andou com os pobres, curou enfermos, defendeu prostitutas e não demonstrava ter preconceitos. Ah! E estava no Oriente Médio!

A fé, na maioria dos casos, me parece um objeto tão frágil na mente (assim como a masculinidade) que é necessário que desça goela abaixo da maneira como foi concebida. E ai de quem pense em questioná-la!

 

Conversando com um amigo me foi apresentado outro ponto de vista que me pareceu muito válido.

Ele argumentou dizendo que se ser gay fosse algo tão pecaminoso, como muitos cristãos dizem, será que ele teria simplesmente se esquecido de mencionar assunto tão grave?

Jesus não seu deu ao trabalho de condenar a homossexualidade. Muito pelo contrário, o que ele disse foi:

“Há muitas coisas que não posso falar sobre, porque as pessoas não estão preparadas para ouvir”.

E pelo visto ainda não estão.

Esta provocação serviu como uma cortina sendo recolhida em que a resposta para a questão deixou à mostra todo seu preconceito in natura.
Esgoto a céu aberto. Tipo Cedae do Witzel.
Não foi uma prova de fé, uma competição para quem mostrava ser mais fervoroso ou do quanto cada um acredita em seu Deus.
De fato o questionamento nada tinha com a religião em si.

 

E caíram feito patos na própria cegueira.

Foi desfraldado todo o preconceito que geralmente escondemos em frases como:

“Tenho vários amigos gays” ou mesmo na já  manjada “Trabalho com vários negros e nunca tive preconceito algum!”.

Na verdade, ambas são bem manjadas.

Provável que muitos destes que se revoltaram comigo e chegaram a me ameaçar (!), se sentiriam muito mais incomodados se a pergunta trocasse o “gay” por “preto”, pois feriria a já citada imagem de um Cristo banhada a Omo, como cabelos longos e bem tratados e olhos azuis.

E que, ainda assim, hoje seria tratado como “Hippie-comunista-vai pra Cuba”.

Hoje, com uma espécie de salvo-conduto, mostram a cara assim como seus preconceitos e passam pano para atos terroristas caso estes defendam o que acreditam, minimizam a estupidez e se familiarizam com o radicalismo.

Daí que me lembro de tantas críticas contra os islâmicos mais radicais e seus atos terroristas e hoje fazem exatamente a mesma coisa?

Nem sequer se percebem?

 

O perdão, para estas pessoas, só é exercido quando para si próprio e para os seus.

Para os outros é julgamento sumário e execução, mesmo que não exista crime confirmado em si.
Basta ir de encontro ao que acreditam e pronto. Tá batido o martelo.

Quem nunca ouviu: “bandido bom é bandido morto”? E nem precisa ser bandido.

Pode ser preto, gay, mulher ou pobre, mesmo que alguns deles também sejam um destes.

Por muitas e muitas vezes ouvi falarem sobre o “mimimi” de quem, na cabeça deles, se “vitimiza”.
Que tal agora esse chilique dos recém-descobertos cristãos “ortodoxos”?

É o quê além de puro “mimimi”?
Se um dia ele voltar (se é que já não voltou e meteu o pé daqui) poucos o enxergarão.
Unicamente por causa do ódio.

 

A conclusão.

Que eu infelizmente já esperava é que nada aprenderam com os ensinamentos bíblicos que dizem seguir (ou apenas defendem convenientemente).

Isso a menos que sigam o Antigo Testamento.
E que todo esse frenesi pseudocristão mostra que nada entenderam daquele que dizem defender.
Afinal Jesus poderia ser uma árvore desfolhada, uma pedra no caminho, um negro alforriado, talvez um mendigo tentando identificar alguma bondade entre nós ou mesmo um peixe no anzol.
Ele só não seria ódio.


Caso queira deixe sua indignação abaixo

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

2 Comentários

  • Fabio Nascimento
    27 de junho de 2020, 16:01

    Que crônica foda!
    Simplesmente cirúrgica!
    Obrigado e te amo, meu irmão!!!

    REPLY
    • Fabio Pires@Fabio Nascimento
      6 de julho de 2020, 18:45

      Fico feliz que tenha te tocado, meu irmão.
      Eu que agradeço sempre!!!

      REPLY

Sugestões de Leitura

Espaço Publicitário

Anuncie sua empresa conosco

Vale a Leitura!

  • Anuncie Aqui

    Anuncie sua Empresa Aqui