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Reunião de condomínio é aquele momento

Reunião de condomínio é aquele momento

Música sugerida para leitura: Second Come – Run Run.   Quem nunca fugiu de reunião de condomínio? Só quem mora ou já morou em apartamento sabe do que se trata. Cheguei de mansinho, no meio de alguma discussão que parecia antiga e tentei delicadamente não arrastar a cadeira enferrujada de uma marca de cerveja que

Tempo de Leitura: 3 minutos

Música sugerida para leitura: Second Come – Run Run.

 

Quem nunca fugiu de reunião de condomínio?

Só quem mora ou já morou em apartamento sabe do que se trata.

Cheguei de mansinho, no meio de alguma discussão que parecia antiga e tentei delicadamente não arrastar a cadeira enferrujada de uma marca de cerveja que nem existe mais.

Depois de um dia inteiro de trabalho e de duas horas gastas em um trânsito infernal eu só queria chegar de fato em casa.
Tirar aquela roupa surrada e suada, me jogar no chuveiro de água quente enquanto pensava em qual comida conseguiria aprontar rapidamente.
Antes que o sono de fato chegasse.

Estava sem muito saber muito bem como devia me portar naquele ambiente hostil para quem era novo naquele condomínio.

Murmurei “boa noite” sem graça quase que misturado com um “desculpe o atraso”, mas ninguém ali se importou com meu atraso ou mesmo com a minha presença.

No fundo sempre percebia as reuniões de condomínio como aquele momento que reflito profundamente sobre como me incomoda perder tempo.

Tipo aquela reunião de trabalho que seria resolvida com um único e-mail, saca?

É aquele momento que me entendo e me perdoo por ser tão antissocial.

Nesta mesma reunião cabe o senhor que vive bêbado andando pelo condomínio e a esposa dele que senta bem distante do mesmo, tem o vizinho que inutilmente tenta resolver tudo rápido, aquele que se acha o advogado por saber de todas as regras que ele criou na cabeça dele.

Também cabe aquele que por ser mais antigo no prédio evoca seu “tempo de casa” para ser ouvido ou mesmo respeitado.

Mas também tem um senhorzinho que divide a última fileira comigo e parece se esconder com seu chapéu de aba curta que alguns jogadores de sinuca usavam nos anos 80.
Com um semblante desanimado, não precisou falar nada para que eu compreendesse seu abatimento.
Bastou um olhar.

Reunião de condomínio é aquele momento que também me inocento por evitar maiores contatos com determinado vizinho.

Ou vizinhos. Ou a maioria. Exceto a senhorinha do 102 que sempre sorri quando saio às 6 da manhã pro serviço. Ela parece ser gente boa.

Reunião de condomínio é aquele momento que chego a sentir urticária só de pensar em me colocar no lugar do síndico.

Nunca. Nem pensar. Xô!

É aquele momento que me pergunto como estas pessoas conseguem -TODAS ELAS- falar ao mesmo tempo.

E é aquele momento que deveria chamar minha mãe e dizer: “Ó, avisa pra eles também que quando um fala o outro se cala!”.

É quando o morador que solta o cachorro pelo pilotis para fazer suas necessidades reclama que o mesmo anda sujo.

Quando toda vez um morador reclama dos gemidos altos de alguma cópula nervosa de algum casal jovial que não entendeu que tudo se ouve nestes “apertamentos”.

Reunião de condomínio é aquele momento que me acho numa pequena Câmara dos deputados, só que todos sem decoro algum, apesar de que na Câmara muitas vezes também não o têm.

É o momento que você já não acha mais a senhorinha do 102 tão simpática assim depois que ela solta um “puta que pariu!” que envergonharia Dercy Gonçalves.

E também identifica de imediato aquele vizinho que insiste em ouvir música em um volume que denuncia um problema auditivo forte.

E que a discussão sobre o orçamento vai levar tempo.

Me remexo na cadeira. Desconforto total me define. Só desejava um banho quente, comer algo e me deitar.
Só consigo perceber o mexer dos lábios de uma moradora que parecia bem feroz e que discute sobre algo que já nem sei do que se trata.

Reunião de condomínio é aquele momento que em mais um escapismo imaginativo, me imagino como Gerald Butler naquele filme quando ele grita: This is SPARTA!  

Mas apenas olho para o velhinho desanimado que divide a última fileira comigo, como que pedindo permissão para sair e cochicho:

– Não aguento mais, vou embora…

-Sorte sua garoto. Aquela alucinada que tá discutindo com o síndico é minha esposa…

Olhos arregalados, sentimento de pena, mas apenas me levanto e saio de fininho para nunca mais voltar.


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