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Show do Pearl Jam em um domingo qualquer em 2011

Show do Pearl Jam em um domingo qualquer em 2011

Rio de Janeiro, algum domingo de 2011. Eu estive no segundo show do Pearl Jam no Rio de Janeiro. E sabedor do turbilhão de emoções pelo qual atravessaria durante a apresentação, entendia que memórias de quem me ensinou a gostar da banda viriam à tona e lógico que sabia que em algumas músicas passariam alguns filmes

Tempo de Leitura: 3 minutos

Rio de Janeiro, algum domingo de 2011.

Eu estive no segundo show do Pearl Jam no Rio de Janeiro.

E sabedor do turbilhão de emoções pelo qual atravessaria durante a apresentação, entendia que memórias de quem me ensinou a gostar da banda viriam à tona e lógico que sabia que em algumas músicas passariam alguns filmes em minha cabeça.

Você, leitor, poderia me perguntar:

“Se você já sabia que estas emoções viriam a borbulhar em sua mente então por que diabos você ainda foi?”

Eu, em contrapartida, poderia dar várias respostas como a evasiva:

“Eu adoro Pearl Jam!” ou até uma mais complexa que explicaria minha ida como um fechamento de um ciclo.

Algo mais leve sem o peso de preocupações desnecessárias ou cuidados dispensáveis a quem não os queria e nem mesmo os pedira.

Eu também poderia dizer que sigo os muitos conselhos repetidos de que eu devo matar todos os meus demônios enfrentando-os e não os driblando ou fugindo pela tangente.

E que de certa maneira estes combates hoje tão evitados por mim como resultado talvez sejam realmente necessários ou mesmo vitais para meu amadurecimento.

Então ligando um foda-se em neon e letras garrafais, lá fui eu.

De fato, aguentei as cinco primeiras músicas com o choro entalado, porém nítido caso alguém se desse ao trabalho de olhar para mim.

Nothingman” foi meu limite e antes mesmo do refrão algumas linhas de lágrimas escorriam pelo meu rosto.

Repercutido em apenas um leve aperto no ombro esquerdo da minha companheira de empreitada.

Ela nem sequer olhou para trás, o que agora me leva a crer que estava no mesmo estado que eu, mesmo que por motivos diferentes.

Estático e deixando a melodia e a letra me envolverem, fiquei como se estivesse sentindo o efeito de algum alucinógeno que me tirou a reação e o equilíbrio.

Sabia eu que “Black” seria outro momento que trairia meu equilíbrio.

E em relação a isso eu só poderia torcer para que jogassem este linda canção para o final do set list para que eu pudesse continuar curtindo o show e não uma fossa.

Exageradamente racional como sou, não consegui achar razão e vontade para me sentir deprimido ou mesmo reflexivo, queria apenas cantar e curtir o show.

Lógico que em outros momentos algumas lembranças, boas e ruins, transitavam pela memória quando alguma frase de qualquer uma das trinta canções me atingia em cheio na lembrança.

Sempre foi fácil achar em letras de música algum sentido para nossas frustrações e remorsos.

O que muitas vezes nos ajuda a entrar de cabeça numa tristeza desmedida e em poucas a entender o que de fato aconteceu.

A arte como um todo pode também ter como papel o estímulo à reflexão e ao mergulho no pensar de cada um.

Ainda que seja em um pequeno borrão perdido no canto de uma pintura qualquer, em um “caco” bem colocado numa peça de teatro, no duplo sentido usado na literatura de cordel ou mesmo nos berros de um vocalista de banda de rock.

Daí conclui que esse estímulo é unicamente inserido de maneira pessoal, ou seja, só você pode dizer o que te faz refletir.

Só você pode dizer o que te traz emoção.

E essa individualidade me fez desabar com os primeiros versos de “Black” já no último bloco da apresentação.

Me percebi estático, cantando mesmo que mudo em que mais lágrimas caíam repetidamente nesse ritual de exorcismo a que me submeti.

Quem ler este texto pode imaginar o quanto é desnecessário sentir isso tudo em um simples show de rock.

E eu concordo. De certa maneira.

Mas quem nunca teve uma música que descrevesse algum momento especial de sua vida?

O que falo de mim que tenho várias músicas assim?

Quem nunca se emocionou com alguma canção que tocasse justamente na sua ferida?

E acredite, todos nós temos feridas.

Se você não teve essa experiência, sugiro urgentemente que aprenda a chorar.

Acredite, faz muito bem.


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