A saga de acompanhar alguém em um hospital tem vários estágios que não seguem necessariamente uma ordem cronológica fixa. Nunca sabemos o que está por vir. E isso não torna nada mais emocionante;
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Tempo de Leitura: 3 minutos

Meu Karma Hospitalar OU Um Péssimo Anjo da Guarda

Meu Karma Hospitalar OU Um Péssimo Anjo da Guarda

Sugestão de música para leitura: Don’t start now – DUA LIPA. Precisar de hospital deve ter muito a ver com KARMA. E olha que estou falando de cima do meu trono de moça de classe média, semibranca e privilegiada. Nunca fiquei no SUS. Nem nenhum familiar. Mas já tenho mais tempo de internação e sala

Tempo de Leitura: 3 minutos

Sugestão de música para leitura: Don’t start now – DUA LIPA.

Precisar de hospital deve ter muito a ver com KARMA.
E olha que estou falando de cima do meu trono de moça de classe média, semibranca e privilegiada.

Nunca fiquei no SUS.

Nem nenhum familiar.

Mas já tenho mais tempo de internação e sala de espera do que metade dos profissionais de saúde que você conhece.

É isso que se ganha por nascer em uma família com pessoas portadoras de doenças crônicas sérias.

Sempre fui uma espécie de quase-anjo-da-guarda dos mais fracos de meus parentes próximos.

 

               “Ô gente chata da porra”

A saga de acompanhar alguém em um hospital tem vários estágios que não seguem necessariamente uma ordem cronológica fixa.

Nunca sabemos o que está por vir. E isso não torna nada mais emocionante;

A sensação é de sentar sem relaxar nunca.

Afinal, você nunca sabe quando te chamarão para trocar de quarto, socorrer o doente ou mesmo para assinar 500 papéis que te tornam responsável pela vida de outrem ( isso quando você não tem responsabilidade nem com sua vida acadêmica).

E cá estou eu, em um Hospital particular, esperando que minha irmã passe por uma cirurgia.

O ponto é: ninguém entende o estilo de vida de quem acompanha um doente.

Ora somos invisíveis, ora, indispensáveis.

Mais de dez profissionais falam com você tudo aquilo o que você já sabe de cor, usando termos quase sempre simplificados (o que, na real, te dá o sentimento de ser retardada).

Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, servidores burocratas, funcionários de limpeza… todos passam por aqui a espera de respostas para perguntas óbvias.
Ou impossíveis.

– Ela é a doente?
Minha mente berra: Não, não. Ela está na cama, cheia de acessos e soro por que curte um masoquismo diferenciado.

– Ela está passando mal?
Penso, automaticamente: Nahhh… que isso. Esse chão vomitado faz parte do meu novo truque de mágica. Vou colocar no Youtube.

– Ela é maior de idade?
Quase respondo em voz alta: Há mais ou menos 30 anos. Mas eu sei que não dá pra notar, apesar das rugas e cabelos brancos.

 – Ela é mesmo sua irmã? (com os documentos de ambas em mão)
Respiro fundo e seguro a patada: Rapidão… deixa eu ligar para a nossa mãe e já confirmo.

– E ela toma todos esses remédios?
Não. Essa bolsa cheia de medicamentos é tráfico. Quer entrar no negócio?

– Nossa, como vocês conseguem ficar aqui nesse quarto tanto tempo?
Bem, ela está presa ao soro e aos outro sete remédios enfiados na veia dela. Eu só gosto mesmo de ficar dias e dias presa em um quarto branco e gelado.

Não bastasse a parte sofrida de encarar questionamentos tão filosóficos, há ainda o interminável jogo de empurra:

Eu: sabe me dizer que horas a minha irmã vai operar?
Enfermeiro: olha, tem que falar com o médico, senhora.

Eu, atrás do médico: sabe me dizer que horas a minha irmã vai operar?
O médico: tem que falar com o pessoal da enfermagem para ver a liberação do outro plantão.

Eu falando com o pessoal da enfermagem: Oi! Alguém tem previsão de quando minha irmã vai operar?
Galera da Enfermagem: olha, isso aí é com o rapaz do plano de saúde.

Eu falando com o rapaz do plano de saúde: moço, sabe quando minha irmã vai conseguir operar? Tá atrasado…

O Rapaz do plano de saúde: Você vai ter que ir lá na recepção, setor III, com seus documentos, e pedir para abrirem outro protocolo.

Eu, falando com a moça da recepção: sabe me dizer que horas a minha irmã vai operar? Já falei com várias pessoas, e…

A moça da recepção: tem que falar com o enfermeiro.

Cansada, volto para o quarto para escrever essa crônica torta.

Horas depois (12 horas após a previsão do procedimento), um maqueiro aparece, pergunta quem é a paciente (para variar) e após notar minha expressão de “WTF, BRO?”, leva minha irmã para a sala de operação.

 

 

 

 

 

 

 

Na contra-mão de todos os desastres, tudo corre bem.

Já é madrugada quando vou dormir em uma poltrona, ao lado do leito dela.

Hospital é uma espécie de Karma.

Fato.

Mas poderia ser pior.

Enquanto minhas desventuras terminarem bem, resta escrever para contar a tragicomédia que presencio constantemente.


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