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A Catedral Do Mar (E o tal “Antigamente”)

A Catedral Do Mar (E o tal “Antigamente”)

Música para curtir essa leitura: Chavaliers De Sangreal – Hans Zimmer.   Eu precisei ler para compreender a força desse livro. E sendo este um livro dedicado a Nossa Senhora do Mar, você só possa compreender a grandeza disso a partir de sua leitura.  O enredo é ÉPICO, embora não seja dividido em Cantos ou

Tempo de Leitura: 5 minutos

Música para curtir essa leitura: Chavaliers De Sangreal – Hans Zimmer.

 

Eu precisei ler para compreender a força desse livro.
E sendo este um livro dedicado a Nossa Senhora do Mar, você só possa compreender a grandeza disso a partir de sua leitura. 


O enredo é ÉPICO, embora não seja dividido em Cantos ou versos, como, por exemplo, as tabuinhas de Gilgamesh, Os Lusíadas, etc. 
Isso pouco importa.
Importa mesmo é saber que, em algum lugar entre os feudos da Catalunha, havia um homem já passado da idade de casar, chamado Bernat Estanyol. 

Era um servo da terra e, assim sendo, devia obediência e respeito ao seu senhor feudal. Mas aquele servo não tinha muitas ideias na cabeça sobre casamento. Queria cuidar da terra que tinha, deixada por seu pai.

Só não esperava o Estanyol que chegasse às suas terras um homem bem abastado ofertando-lhe sua bela filha. Quando Bernat vê a mulher que lhe é oferecida para noiva, o homem da terra começou a imaginar que talvez fosse hora de ter um herdeiro.

Dizem que o amor não ocorre à primeira vista, mas tenho por certo de que, no mundo, tudo acontece. 


No outono de 1320, no principado da Catalunha, Bernat observa sua noiva Francesca e os convidados de sua festa de casamento.
O vinho matava a sede e alegrava os convidados. 

O pão que saía do forno se fazia anunciar pelo perfume da massa cozida, as famílias sorriam em uma confraternização que talvez hoje nos pareça opressora demais, mas era normal e feliz naquela época.
Mesmo sem escolher o noivo, a mulher não parecia revoltada. Coisas de antigamente…

E tudo ia como antigamente, até que lembramos que, naqueles tempos (o tal antigamente), o homem não se guiava por leis constitucionais, e nem mesmo a Igreja era pura ou forte o bastante para segurar suas crueldades; O Senhor de Bernat, vindo de uma caçada em que já havia ceifado outras vidas, fez-se sombra na festa cor-de-trigo e, como um vampiro, exigiu ser convidado para as bodas.

Não demora muito até que o Senhor do pobre Estanyol perceba os encantos de Francesca  e exija o direito de firma de spoli forzada, ou seja, o direito de se deitar com a noiva em sua primeira noite.

 

Os detalhes são cruéis, algo muito comum antigamente.

Francesca, é agredida e estuprada pelo poderoso Senhor feudal. Não bastasse esse fato maligno, a moça é obrigada a ter relações com Bernat (também forçado, sob pena de perder a vida), para evitar que uma gravidez seja atribuída ao Senhor feudal.
Francesca não consegue se recuperar do trauma e, nos meses que seguem, não se aproxima de Bernat, que também não tem coragem de dizer coisa alguma. A moça engravida e nasce Arnau, um menino saudável e que, devido a um sinal de nascença, é indiscutivelmente filho de Bernat Estanyol.
Bernat, embora vítima de uma situação que maculou sua família antes mesmo que uma família fosse, viu no pequeno filho toda a sua esperança. E a partir daqui, deste ponto, iniciamos uma Epopeia.


O senhor da terra se tornou motivo de chacota nas redondezas; Seria ele incapaz de fazer um filho?

Decidido a dar um fim aos comentários, o Senhor manda que levem Francesca e Arnau para seu castelo e lá, mãe e filho são separados. Ela é usada como ama de leite e fica à “disposição” dos soldados e o bebê é deixado junto ao estábulo à mercê da própria sorte.
Bernat, cuja covardia condenou seu passado recente, usou de toda coragem para resgatar seu filho. O bebê está quase morto quando é recuperado pelo pai.
Bernat se esconde com o rebento, para que ambos não sejam pegos e mortos pelos empregados do Vassalo. Sem saber para onde ir, e à espera da recuperação de Arnau, o pai Estanyol acaba por se lembrar de boatos sobre a grande Barcelona. Se conseguisse viver na cidade durante 1 ano e 1 dia se tornaria cidadão e homem livre. Esperançoso sobre um futuro incerto, ruma para Barcelona com Arnau.


Na grande cidade, pede o auxílio de sua irmã e de seu cunhado, um artesão em ascensão e com grandes ambições.

Começa a trabalhar na oficina de seu parente e percebe que sua vida pouco mudou: deixou de ser um servo da terra para ser servo da burguesia (ainda em sua gênese).
Por anos, Bernart só vê Arnau durante a noite, mas tem a tranquilidade de saber que seu pequeno filho está sendo bem cuidado por sua irmã.
Arnau vai crescendo, torna-se menino já capaz de correr por aí a conhecer as aventuras do pequeno mundo chamado Barcelona.
Conhece Joan, um garoto sofrido que vive pelas ruas de Barcelona.

 

Bernat se compadece do melhor amigo de seu filho e decide adotá-lo após a morte misteriosa de sua mãe do menino.

Terá sido fome?
Alguma pestilência das rochas úmidas e podres?
Teria sido suicídio?
Sede?
Não interessa.
Os tempos medievais não são fáceis. As abundâncias são gritantes em uns lugares, em outros reina a pobreza. 
Só não sei se tanta coisa mudou.


Anos se passam e Bernat se vê em uma Barcelona assolada pela fome e desespero dos pobres.

Bernat, até então um homem pacífico e dotado de virtudes raras, é tomado por uma fúria enlouquecida – desespero, medo, dor – e incita uma revolta popular. O caos toma conta da cidade, e o rei ordena que seus soldados reprimam a rebeldia e prendam seus lideres.

Bernat é preso e enforcado sumariamente em praça pública, por ter ficado desesperado; por não saber como dar de comer aos dois filhos; por ser bom demais, ter trabalhado demais, ter se esforçado demais.
Arnau tem apenas 12 anos quando vê o pai enlouquecer e ser covardemente morto, e a vida de Arnau e Joan tomam rumos diferentes.
Joan é apoiado pelo padre da Igreja do Mar e vai estudar em uma escola católica. Segue a carreira eclesiástica e surpreende ao se tornar um inquisidor implacável, a perfeita alegoria do homem oprimido que se torna opressor.
Enquanto Arnau torna-se apenas virtude, e dedica-se ao bem e ao trabalho por si e pelos outros, Joan, torna-se mal, julgador de delitos e inocências, repressor voraz, duro como as rochas que prenderam sua mãe até o último suspiro.


Arnau não tem a mesma “sorte” e passa a depender apenas de seu esforço para se sustentar.

Apesar de ser um menino mirrado, se torna um bastaix (estivador), e carrega em suas costas as pedras para a construção da catedral do povo.
A Catedral que dá razão ao seu viver.
Do que falei até agora?


De quase nada. A Catedral do Mar tem infinitas histórias dentro de histórias.

As sendas pelas quais Arnau caminha com os passos lépidos de um moleque magro, que logo se torna um homem grande são pontiagudas, cheias de sangue e pólvora. 
Seus bons sentimentos limpam cada passo errado que dão em sua direção, como se a partir das virtudes de seu coração, Arnau tivesse as forças para enfrentar um mundo nada misericordioso.
Na judiaria (lugar dos judeus, onde não raro os semitas eram mortos sem razão que justificasse), Arnau fala com todos e faz amigos verdadeiros.
Na mesma judiaria, Arnau consola Raquel, quando o pai da jovem é queimado vivo pelo simples fato de ser judeu.

 

Com o passar dos anos,

Arnau ascendeu da servidão: Foi bastaix, soldado, cambista e até Cônsul do Mar.
Conquista o apoio da realeza e de homens ricos e por fim recebe o titulo de conde. 
Sua vida muda ao encontrar Mar, filha órfã do primeiro bastaix a ajudá-lo.
Mar torna-se uma pupila, ganha seu nome e seu carinho.
Mas o tal antigamente não poupava ninguém…
Arnau é obrigado a se casar  e acaba tomando por esposa uma mulher perversa.


O ciúme e o ódio de uma mulher rejeitada, o leva a enfrentar a inquisição.

O rapaz, que passou a vida vivendo da justiça, a todo momento é salvo por ela, quando o mundo se aperta demais e todas as coisas parecem negras como a peste.
A Catedral do Mar não é um livro que você lerá como quem lê mais um livro ganho como presente de aniversário, ou aquele título que alguém te obriga a ler.

O Épico Moderno de Ildefonso Falcones tem a força das batalhas da Era de Ouro da mitologia, a bravura dos povos nórdicos, o calor humano dos povos ciganos e a lealdade quase metafísica. 


Não se pode explicar A Catedral do Mar.

É necessário viver a experiência literária, sentir as dores, rir os risos, ranger os dentes com as raivas.
Tentar explicar esse tomo é como tentar explicar por quais motivos exatos você ama alguém, ou porque aquela ou esta música é capaz de te fazer chorar; é como tentar explicar porque vermelho é a minha cor favorita (vermelho escuro, como sangue), ou porque eu sempre sonho com o Mar.
E será o mesmo Mar da Catedral?
Não… Mas se fosse, cataria com os olhos Arnau já patriarca e seu legado. E lhe pediria conselhos.
Mas isso você também só vai entender se ler o livro.

 


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