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Política não se discute! Por que não?

Política não se discute! Por que não?

  Política não se discute! Hum? Essa é uma daquelas frases clássicas e arraigadas no imaginário popular e amplamente difundida e tão amplificada que parece que nascemos com elas no pensamento. Porém, com danos sérios até hoje na dicotomia estimulada e na falta de identidade política de um povo que assim continua sendo manipulado a

Tempo de Leitura: 4 minutos

 

Política não se discute!
Hum?

Essa é uma daquelas frases clássicas e arraigadas no imaginário popular e amplamente difundida e tão amplificada que parece que nascemos com elas no pensamento.
Porém, com danos sérios até hoje na dicotomia estimulada e na falta de identidade política de um povo que assim continua sendo manipulado a torto e a direito.
Todos já ouviram em algum momento que política, futebol e religião não se discutem. Com a desculpa de mantermos ao menos os almoços de domingo em família ainda um ambiente respirável, mas que no caso da política nos torna mais fáceis de manipular e enganar.
Quando terceirizamos nossa responsabilidade política e lavamos nossas mãos quanto a isso parece que não somos culpados, não é mesmo?
Só que somos responsáveis e também culpados, afinal a partir daí alguém assume esta responsabilidade.
E normalmente em benefício próprio.

Poderia eu também citar aqueles que beijam o rosto de regimes fascistas.

E que nem sequer percebem a mancha de batom destes regimes por absoluto desconhecimento do assunto ou pelo uso do também já manjado caráter de conveniência.
Aquele caráter que aparece ou desaparece no assunto conforme os interesses do interlocutor.
Todos já ouvimos alguém vomitar a frase: Mas fulano roubou mais!.
Se este é um argumento seu lamento lhe informar que o seu próprio caráter não é tão ilibado e puro assim.

Há também aquela cada vez mais nociva, perigosa e comum Ignorância plena e assumida.

Em que muitos optam por viver no fundo da caverna de Platão, já que a luz realmente para alguns incomoda e dói.
Entrincheirados em livros do imbecil do Olavo de Carvalho, procurando pelas beiradas da Terra plana e se escorando em todo tipo de negacionismo.
Mas a questão aqui vai além do Fla x Flu raivoso que se tornou nossa tentativa de entender por qual lado segue o brasileiro médio, assim como do legado e aprendizado que teremos (?) quando esse fervor político diminuir.

Falo aqui do legado comportamental.

Aquele mais imediato que é visto e ouvido nas ruas, nas filas do comércio, bancos e lotéricas e no dia a dia em geral.
Daquele sujeito que caga para o uso da máscara, aquele que ainda faz cara feia se alguém estiver usando ou mesmo aquele que faz graça quando alguém fala em pandemia.
Falo também dos que demonstram total falta de empatia e que se torna mais visível a cada dia nos comentários furiosos de Facebook ou Twitter.
Quantas vezes me perguntei como poderiam ser tão grotescos e inconsequentes?
Ou mesmo argumentei perguntando: E se fosse a sua mãe no lugar?
E descobri que nada incomoda mais ao cidadão xucro que colocar a mãe como parte de um mero exercício de reflexão.
Até isso se negam e partem para o ataque verbal.
Para eles é difícil se colocar no lugar do outro e não minimizar a dor de ninguém, e daí lembro claramente do mimimi que usualmente é definido por justamente aqueles que sentem pouco na pele.
Não deveria ser difícil, mas hoje percebo que é para uma boa parte da população que são incapazes de se colocarem no lugar do outro.

E tem mais.

Ainda há aqueles que passam pano para comportamentos racistas e excludentes sem ao menos analisarem a sociedade em que vivemos e a quantidade de miseráveis que este país têm.
Temos os que criam políticos de estimação que defendem não apenas seus ideais políticos, mas  sim seus comportamentos discutíveis e na maioria das vezes reprováveis.
E que agora se acham finalmente representados dentro da  sua escrotidão e total falta de sensibilidade.

Estes são alguns dos comportamentos que levaremos por décadas.

Se já tínhamos que nos acostumar com a eterna e famigerada lei de Gerson como definir estes novos “padrões”?
Lei do Meu pirão primeiro ou do Vagabundo vai pra Cuba?
A minha recém-descoberta de “novos cristãos” dentre aqueles que se intitulam conservadores poderia, e até deveria, aumentar a tão citada tolerância para com aqueles que pouco tem de recursos.
Mas não.
São justamente estes os membros da inquisição moderna.

São aqueles que julgam, vociferam e destilam ódio batendo de cara justamente contra aquele que dizem seguir.
Nada aprenderam com Jesus e se ele vivesse nos dias de hoje certamente seria crucificado mais uma vez.

E ainda temos um monstro com vários tentáculos.

Que é a cada vez mais latente mistura de religião com política e que hoje abriga uma cada vez maior e influente bancada evangélica.
Tentar lembrar que o Brasil ainda (constitucionalmente) é um país laico se torna piada de péssimo gosto e sem representatividade objetiva alguma.
Pois pense comigo:

Se não respeitam a própria Bíblia que dizem seguir, por qual razão respeitariam a Constituição?
O perigo de nos tornarmos um país fundamentalista religioso é grande, além de hipócrita e recheado de pessoas com corações embrutecidos.
Opa! Será que já não somos um país assim?

Não acabei ainda…

Há ainda o entendimento popular que vida política é para fazer uma grana preta e pouco trabalhar ou mesmo enxergar a política como profissão.
E profissão daquelas que pouco precisa se preparar, afinal olhem o ignóbil que ocupa a cadeira presidencial e seus vários ministros com currículos falsos, cursos, doutorados e mestrados que sequer existem.
Observe a falta de nível cognitivo e intelectual daqueles que comandam este país, seu estado e de seu município.
E todos eles escolhidos por nós.

Entendeu porque devemos não apenas discutir política?

Mas também entender que fazemos politica todo dia desde quando abrimos os olhos e que para melhor entendermos do que se trata política só estudando muito, lendo muito e interpretando mais ainda.
E como consequência natural, passamos a nos entender como povo e como massa.
Como um todo e não apenas individualmente.

E nessa sequência a empatia volta a fazer parte dos nossos pensamentos e sentimentos.
Isso, claro, é uma sequência que só exerce esta lógica na minha cabeça, provavelmente.

Mas querem saber de uma coisa?

Usando “Bonitinha, mas ordinária” para finalizar este texto, posso também bradar que No Brasil todo mundo é Peixoto.
Na nossa calhordice e dissimulação.
Na nossa falsidade e hipocrisia.
Em jogar a merda pra baixo do tapete e fingir que nada acontece se não falarmos sobre.
E nisso temos estes alguns elefantes na loja de cristais:
Vivemos política, mas não queremos entender o que se trata. Somos seres políticos, mas temos preguiça em compreender como funciona e nisso o tapete já não comporta mais tanta sujeira.

Voltando ao texto (e ao filme, se preferir) abusadamente aumento o alcance da frase que Otto Lara Resende sempre negou autoria, contra os mineiros e hoje digo que:
O brasileiro não é solidário nem no câncer.
E talvez este seja o nosso câncer.

 


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