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Tempo de Leitura: 3 minutos

Vai um relógio aí, patrão?

Vai um relógio aí, patrão?

Música sugerida para ler este texto: Sobre o Tempo – Pato Fu.   O tempo corre diferente quando você acorda às quatro da manhã e isso tem se tornado constante após os quarenta. E nesta fase o relógio não é mais seu amigo. Em alguns momentos percebo que as mijadas noturnas são mais frequentes, em

Tempo de Leitura: 3 minutos

Música sugerida para ler este texto: Sobre o Tempo – Pato Fu.

 

O tempo corre diferente quando você acorda às quatro da manhã e isso tem se tornado constante após os quarenta.
E nesta fase o relógio não é mais seu amigo.

Em alguns momentos percebo que as mijadas noturnas são mais frequentes, em outros sou acordado pelos gatos pedindo o lanchinho da madrugada (quem tem gato sabe como é) e também acontece de perder o sono por arroubos de ideias para textos ou músicas.
Pois bem, nesta madrugada enquanto estava no banheiro me veio ao pensamento uma questão que vez por outra me pega pelo pé:

Como eu tratei o meu tempo durante a vida?

Me recordei de imediato do documentário Quanto tempo o tempo tem” que traz uma reflexão de como víamos, vivíamos e percebíamos o tempo e o futuro em cima dessa corrida desenfreada contra o mesmo tempo que hoje nos escapa pelos dedos.
E que hoje bate na porta com os numerosos potes de remédio e pelos fios de cabelos brancos.
Lembrei também da série Dark da Netflix e sua complexa história sobre viagens no tempo que tanto me prendeu e me fez viajar com os personagens.

Em seguida me veio à lembrança de quando cronometrava minha vida por conta do horário do trabalho:
3:50h da manhã levantava da cama para sair de casa às 4:05h e chegar a tempo de pegar o ônibus de 04:20h e dali chegar ao aeroporto antes das 5h.

Calma que não acabou.
Esse era o horário de saída de outro ônibus da empresa que eu trabalhava, para então chegar ao outro aeroporto antes das 6h e que (aí sim) era o horário que eu já deveria estar pronto para trabalhar.

Tudo no relógio e na base da pressa.

Café da manhã? Nem pensar. Não dava tempo.
Vivia na ansiedade do próximo horário a ser cumprido e durante anos comecei meu dia assim. Também me lembrei das inúmeras vezes que por esta mesma ansiedade e por achar que ficaria “cansado” deixei de sair e me divertir por conta deste horário incomum.
Assim como das muitas vezes que perdia o sono com medo de perder o horário.
Sim, você leu certo. Medo de perder a hora.

Lógico que eu tinha minha “recompensa” (que só existia na minha cabeça) que era sair da obrigação antes do meio dia para aproveitar o restante do dia!
Só que eu pouco aproveitava, já que chegava moído em casa.
Me dei conta de que nunca gostei de chegar atrasado e por muito tempo levava a tons de mantra a frase que minha família e amigos próximos cansaram de ouvir:

Prefiro chegar uma hora adiantado que 10 minutos atrasado.

Pensando melhor hoje: Quanto tempo eu perdi assim?
Quantas vezes deixei de viver o hoje para me preocupar com o amanhã?
Para quê?
E concluí que a minha urgência não dava espaço para o respiro, assim como também para as percepções e para meus raciocínios.
Vivia por uma lógica que só existia na minha cabeça.

Não me dava conta do quanto disso tudo perdi, ignorei ou larguei na lixeira junto ao tempo que desperdicei.
Do quanto me enganava falando que não tinha tempo.
Mas como não o tinha se o tempo sempre foi o mesmo?  

E que tempo é esse que me engolia e dominava?
Quem eu seria sem o relógio?
Só consigo finalizar com a ajuda de Luís Fernando Veríssimo que em um livro seu disse:
“ Feliz era Adão porque era um homem sem datas”.
Mas eu tinha várias. Datas e horários. Datas, horários e amarras.

Daí enxerguei a crueldade muda do tempo.

Cruel sim, pois ele traz rugas, olheiras, memórias e alguns arrependimentos.
Muda porque ele não avisa quando chega.
Não faz muito barulho, mas arromba a porta e diz: Cheguei, porra! 

Quando você perceber esse mesmo tempo passou e ainda manda um dedo do meio na tua fuça.
Dizem que tudo tem seu tempo, não é mesmo?
Mas esta afirmação vale mesmo sem sabermos quanto tempo ainda nos resta?
Viajo mais profundo ainda pelos meus pensamentos e raciocínios mesmo na loucura instalada no camelódromo da Uruguaiana.
E ainda consigo ouvir algo que alimenta mais ainda o que estava pensando: Vai um relógio aí, patrão?

 


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