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Tempo de Leitura: 3 minutos

O diabo de cada dia na Netflix

O diabo de cada dia na Netflix

O que esperar do cruzamento de personagens tão distintos e tão iguais ao mesmo tempo? Com tanto sangue, hipocrisia e violência envolvidos?   E isso em duas cidades pequenas e bucólicas no interior dos Estados Unidos dos anos 50 do século passado? E se agregássemos fanatismo religioso e violência a este cardápio ainda comum nos

Tempo de Leitura: 3 minutos

O que esperar do cruzamento de personagens tão distintos e tão iguais ao mesmo tempo?
Com tanto sangue, hipocrisia e violência envolvidos?

 

E isso em duas cidades pequenas e bucólicas no interior dos Estados Unidos dos anos 50 do século passado?
E se agregássemos fanatismo religioso e violência a este cardápio ainda comum nos dias de hoje?
Pois bem, trata-se de O Diabo de cada dia filme lançado pela Netflix que, por sinal, caprichou bastante nas suas produções em 2020.
Baseado no livro homônimo de Donald Ray Pollock, que ainda foi o narrador no filme da história escrita por ele em 2011, e lançado aqui no Brasil como O mal nosso de cada dia.
Fugindo e muito do que habitualmente faço (Mais por hábito do que por regra) vou falar primeiro do filme ao invés do livro.
Muito mais porque este filme me surpreendeu a ponto de correr atrás do livro posteriormente e de que este provavelmente vai furar a fila das minhas leituras para 2021.
Desculpe Margaret Atwood, mas Os testamentos vai ter que esperar.

Os perfis psicológicos que tanto me atraem.

Nesta história muito bem entrelaçada e atada há um universo rico de personagens que mesmo distantes em época me soa muito atual em costumes e hábitos.
Como o policial corrupto e ambicioso que se sobrepõe a lei por poder, o pastor dissimulado que desorienta uma menor de idade já conturbada psicologicamente, um pai com sofrimentos de sobra por conta das neuroses adquiridas na guerra e com os sofrimentos seguintes que foram mais difíceis de lidar.
E como em um efeito cascata o sofrimento causado no seu filho que se torna um homem frio e em eterno conflito.

Afinal somos a consequência do que vivemos.

E do que nossos pais viveram.
E do que nossos avós viveram.
E do que nossos bisavós viveram…
E somos a soma desse tanto de gente que nos antecedeu tanto em defeitos quanto em acertos.
Na maioria das vezes nem percebemos que carregamos tanta informação transformada em características, hábitos e reações.
Isso se exemplifica na repetição de frases ditas pelos nossos pais, na frieza demonstrada após uma sequência de desgraças familiares ou na tentativa de conter a hostilidade que sente pelo mundo e pela vida, como no caso do personagem principal Arvin Russell.
Somos a continuação da história de quem veio antes de nós.
Quer queiramos ou não.

O mal na essência.

Aquele mal que sequer é percebido e que não identifica de imediato uma razão ou uma origem.
Aquele mal que se descobre quando se tem uma arma na mão e uma vida (ou honra) a ser defendida.
Aquela maldade que em si não tem uma razão.
Ou seja, a essência humana crua e baseada em interrogações.

São histórias que se cruzam em duas gerações e que intimamente ligadas nem se percebem.
Histórias que se completam como em um quebra-cabeça, que com a ajuda da narrativa usada dança entre o passado e o presente e que o futuro foi sabiamente deixado pelo diretor Antônio Campos como espaço aberto.
Assim como muitas peças desse quebra-cabeça foram deixadas para que o espectador as juntasse e nada ali veio mastigado, muito menos os aspectos psicológicos dos personagens.

Delusions!

Não poderia faltar comentário sobre o papel da religião neste ambiente que mais uma vez parece atemporal.
Desde a alienação religiosa ou se preferirem a fé cega, o medo produzido pela religião e suas punições e a hipocrisia de quem se esconde seu real caráter na religião.
Atual ainda, não?
Não preciso discorrer mais nada sobre ou preciso?
Como dito freneticamente pelo pastor pilantra interpretado pelo eterno Crespúsculo Robert Pattinson:
Delusions!

 


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