728 x 90
Tempo de Leitura: 2 minutos

Causa e Consequência

Causa e Consequência

  Sou dos tempos remotos em que, em lugar do ENEM, para ingressar em uma Universidade Pública, um estudante precisava fazer vestibulares não unificados. Ou seja: Cada faculdade tinha uma prova diferente.   Lembro bem que as provas de Língua Portuguesa Instrumental da UERJ era, recheadas de questões sobre a relação de causa e consequência.

Tempo de Leitura: 2 minutos

 

Sou dos tempos remotos em que, em lugar do ENEM, para ingressar em uma Universidade Pública, um estudante precisava fazer vestibulares não unificados.
Ou seja: Cada faculdade tinha uma prova diferente.

 

Lembro bem que as provas de Língua Portuguesa Instrumental da UERJ era, recheadas de questões sobre a relação de causa e consequência.
Não eram questões fáceis para a maior parte dos vestibulandos.
Antes que você se pergunte, caro leitor: sim, eu passei no vestibular. Mas escolhi a UFF.
Logo que me tornei professora de português (por conta de um masoquismo inerente a minha alma), passei a revisitar as questões da UERJ porque me eram úteis para explicar interpretação textual, períodos compostos e sintaxe do geral.

Continuo sendo professora ( só se vive uma vez, mas podemos sofrer quantas vezes quisermos) e continuo utilizando a relação de causa e consequência em minhas aulas.
Contudo, o tempo, a crise, o mundo cada vez mais confuso ou minha percepção cada vez mais clara de viver uma piada de mau gosto, deu-me a ideia de que “Causa e consequência” estão para tão além de questões da língua vernácula que chega a ser ridículo usar questões tão complexas para estudar gramática, quando não as utilizamos para entender uma sociedade extremamente doente.

Somos muito bem treinados para enxergas consequências, mas infinitamente cegos para notar causas, ou ao menos, as causas corretas.
E como todos os professores apreciam exemplos, aqui vamos nós:

Consequência: Um adulto marginalizado, que usa drogas e comete crimes.
Causa Possível: O adulto foi, em sua infância, negligenciado, não teve uma boa educação, não teve uma educação acolhedora e um ambiente familiar propício. Da mesma sorte, sofreu discriminações diversas que impossibilitaram seu ingresso no mercado de trabalho, submetendo-o ao subemprego, à fome, às drogas e ao alcoolismo como escape.
Causa normalmente atribuída: “O homem está à margem da sociedade porque é um vagabundo. Quem quer corre atrás. Eu acordo todo dia para trabalhar e tenho que encarar um engarrafamento absurdo para chegar ao trabalho. A vida não é fácil para ninguém.”

Consequência: Uma moça sofre terrível estupro.
Causa: O Brasil é um país tristemente assolado por crimes sem punição e acobertados pela própria sociedade acostumada a normalizar atos de violência contra a mulher.
Causa normalmente atribuída: “Ela estava dando mole. Com certeza. Aposto que estava usando shortinho bem curtinho.”

Consequência: Brasileiros desrespeitam normas para a vacinação contra o Corona Vírus.
Causa: Egoísmo e falta de fiscalização correta.
Causa normalmente atribuída: “Fala sério. Vai dizer que você também não se vacinaria primeiro também? Se virar jacaré, depois eu vejo…”

 

Como eu disse, para muito além das questões de sintaxe, a causa e o efeito são o que necessariamente regem a humanidade.
Trazidas para o contexto de um país que sofre com uma profunda crise de valores.
A única causa para tentar acertar as coisas e agir corretamente pode ter como consequência críticas ferrenhas.
As críticas não são, contudo, tão estressantes quantos as notas vermelhas que eu já distribuí.
Quem consegue reconhecer causa e consequência de maneira correta não deve se preocupar com aqueles que teimam com sua cegueira voluntária.
A preocupação é apenas continuar buscando a corretar relação “Causa VS Consequência”.


Nos siga também no Facebook e no Instagram!

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

Sugestões de Leitura

Vale a Leitura!

Descomplica pós