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Tempo de Leitura: 3 minutos

Ô saudade filha da puta de ter um dia de paz!

Ô saudade filha da puta de ter um dia de paz!

Juro que prefiria escrever sobre outros assuntos. Algo mais ligado ao cotidiano. Algo sobre o crescimento pessoal que busco incessantemente. Algo sobre meus planos para um futuro que de fato inspirasse esperança. Ou mesmo usar algum texto do Veríssimo como espelho para uma crônica de fácil digestão. E que no final me fizesse pensar racionalmente

Tempo de Leitura: 3 minutos

Juro que prefiria escrever sobre outros assuntos.


Algo mais ligado ao cotidiano.
Algo sobre o crescimento pessoal que busco incessantemente.
Algo sobre meus planos para um futuro que de fato inspirasse esperança.
Ou mesmo usar algum texto do Veríssimo como espelho para uma crônica de fácil digestão.
E que no final me fizesse pensar racionalmente e não que me fizesse ranger os dentes.
E de quebra me deixasse com um sorriso no rosto.

Suave e leve, sabe?
Isso!
Algo de fato mais leve, sem sentir uma mochila de pedras pendurada nas costas.
E tirando de mim a impressão de que hoje vivemos em uma reta destinada ao subsolo.
Sem paradas para respiro.
E que o fundo nunca chega.

Adoraria conseguir elogiar alguma decisão tomada por algum governante.
Uma que fosse.

Amaria ter a noção que a ciência é respeitada em assuntos de caráter técnico como a saúde, por exemplo. E não por gurus esquizofrênicos alucinados que vendem a imagem de pensadores acima de qualquer julgamento.
Ficaria muito satisfeito em saber que as chamadas minorias são respeitadas e não precisam se preocupar em lembrar que existem enterradas em situação de desvantagem social.
Me causaria júbilo saber que ministros e secretários empossados tivessem o mínimo de capacidade, educação e decoro. Infelizmente parece que vieram da quinta série. E do fundo da sala.
Gostaria (e muito) de falar sobre filosofia, história, hermetismo, meditação e até postar umas receitas de bolo de vez em quando, desde que não fosse de laranja.

E não ter que discutir o óbvio com alguém que adota politico como de estimação, o seguindo como gado.
Ou aquele que defenda que a Terra seja plana. Ou os dois em uma pessoa só.
Adoraria falar sobre os muitos filmes, séries e livros que venho assistindo e lendo sem precisar me preocupar em ver movimentos comportamentais e políticos iguais e possíveis em nosso país.
Como vejo em O Conto da Aia ou em Black Mirror, por exempo.
Resumindo: Como sinto falta de assistir a um filme qualquer sem associar algo a essa tentativa de autocracia tupiniquim.
Ultimamente tenho me perguntado se que estou vendo coisas demais.

Saudades enormes de ir a um botequim

E ir a algum botequim tranquilamente.
Sem o perigo de pegar ou passar Covid, mas também desviando da epidemia de estupidez que assola 30% da população e que parece ser bem mais transmissível que o vírus.
Lembrar em algum texto despretensioso de alguma ida sorrateira a algum boteco no Centro da cidade, caso ainda tenha algum aberto. Boteco diferente em um lugar distante de casa com pessoas diferentes ao redor. Também sinto falta.

Seria muito reconfortante ter um único dia de paz no noticiário, daqueles que não lembro mais a última vez que tive. Se é que tivemos algum. E não lembro mesmo.
Adoraria poder ficar algumas horas sem ver as notícias e não me assustar posteriormente com a avalanche de absurdos que sempre vêm depois. A normalização do absurdo parece ser o principal objetivo da sociedade brasileira. Perdi o fio de onde começa a ficção e quando ela se transforma em realidade.

Do quê adianta ficar pensando nisso?

Sei lá. Não sei mesmo.
Parece que entramos em uma espiral descendente em que a única questão deveria ser tentar não adoecer de depressão.
Se você deixar essa avalanche de insanidades toma conta dos seus assuntos e pensamentos.
E daí é um passo. Falo por experiência.
De qualquer maneira não adianta ficar aqui viajando em alguns desejos que não nos são mais permitidos, não é Offred?
Por isso digo: Ô saudade filha da puta de ter um dia de paz!

Foto por Diego Padilha.


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