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Tempo de Leitura: 2 minutos

Parabéns a quem sobrevive por aqui!

Parabéns a quem sobrevive por aqui!

Parabéns não somente para a cidade do Rio de Janeiro  pelos seus 453 anos. Parabéns também a quem sobrevive por aqui! Congratulo aos que ainda insistem em estar aqui. Que assim como eu não imagina a razão de ainda estar pro estas bandas. E no íntimo busca um porquê de ainda não ter seguido os

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Parabéns não somente para a cidade do Rio de Janeiro  pelos seus 453 anos.
Parabéns também a quem sobrevive por aqui!
Congratulo aos que ainda insistem em estar aqui.

Que assim como eu não imagina a razão de ainda estar pro estas bandas. E no íntimo busca um porquê de ainda não ter seguido os passos de tantos que foram embora.
Talvez a obviedade de uma vida inteira neste local e que nem todos estejam prontos ou aptos a mudanças drásticas.
Ou simplesmente porque amem este pedacinho do inferno.
Ou talvez porque tenham família, emprego, amor, teto ou inércia suficiente para ficar. Quem vai saber?
Cada Zé Carioca que sambe e equilibre seu chapéu na cabeça.  

Não descartaria uma tendência quase masoquista em gostar de ser maltratado pelo poder público local desde sempre. E assim ter do que reclamar e se queixar que a cidade é muito mais que a parte que aparece em novelas.
Quem sabe seja adotar o mantra de que nada lá fora possa ser melhor que esse pedaço de terra. Só tentando para saber, não é mesmo? 
E nesta terra dominada pelo poder de milícias e traficantes insistimos no remelexo do passista para esquecermos por alguns dias o que acontece de fato.

Mais do que parabéns desejo:

Força para quem ainda acredita que isso aqui tenha “jeito”.
Força para quem vive sob toque de recolher e medo de ser mais um na estatística.
E Força para cair e se levantar pela enésima vez após a última chuvarada.
Alguém que não veja outra opção e tenha que conviver com o risco de se ver sem norte no meio de um arrastão e mais perdido ainda nas explicações para o aumento do IPTU.
Na dubiedade entre se defender do cafezinho do guarda ou mesmo a oferecer o mesmo cafezinho.
Na também dúvida entre nadar nas praias da cidade ou pensar na contagem de coliformes fecais que passeiam ao lado de suas braçadas. Melhor não abrir a boca.
Aos que ainda se surpreendem com a quantidade de políticos metidos em desvios de recursos públicos e se esquece de que eles foram eleitos por nós mesmos.

Medalhas para quem depende do paupérrimo e calorento (ainda!) transporte público.
E para aqueles que têm carro pelo offroad diário desviando de todos os buracos e pedágios cobrados para andar dentro da própria cidade.
Congratulações para quem acreditou no legado olímpico.
Festeje mesmo que não more nos cartões postais, mesmo que não consigamos nos enxergar no glamour do Leblon das novelas e do convívio do Aécio.
Mesmo que não percebamos que nosso presente é este, por nada termos feito no passado e que naturalmente compromete nosso futuro.

A responsabilidade é nossa. 
A terra não tem culpa alguma. 

Arte por The Guardian.


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