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Desculpe o transtorno

Desculpe o transtorno

Desculpe o transtorno. Perdoe, caro leitor, o transtorno. Estamos no Brasil, Terra do Nunca Será; Ninho dos desacordos assinados com sangue; Terra natal daqueles que aguentam as pancadas de pé ou se rendem ao veneno da desonestidade. Desculpe o transtorno. Aqui, por estas bandas, sempre foi assim. O povo resiste por teimosia ou por conveniência.

Tempo de Leitura: 2 minutos

Desculpe o transtorno.

Perdoe, caro leitor, o transtorno.
Estamos no Brasil, Terra do Nunca Será;
Ninho dos desacordos assinados com sangue;
Terra natal daqueles que aguentam as pancadas de pé ou se rendem ao veneno da desonestidade.

Desculpe o transtorno.
Aqui, por estas bandas, sempre foi assim.
O povo resiste por teimosia ou por conveniência.
Fato é que nossa história nunca foi escrita com tinta, mas talhada em pedra.
De uns tempos para cá, contudo, as lâminas parecem mais afiadas, o vinagre mais rascante, o sol mais inclemente, o pão mais duro…
Quando há pão.

Desculpe o transtorno se nos sobram absurdos e nos faltam as coisas mínimas.

Dizia Goethe em “Os Sofrimentos do Jovem Werther” que tudo nos falta quando “faltamos” a nós mesmos.
O brasileiro nunca soube ser o bastante para si mesmo por estar ocupado em sobreviver.
Perdoe o transtorno: Falta-nos a vida e já não sabemos nem fingir resgatá-la.
Pessoas morrem por falta de vacina, de oxigênio, por falta de assistência…
E os que têm oxigênio e socorro médico, fenecem amarrados a camas de hospitais, para não se debater violentamente quando acabar o coma, mas a doença ainda estiver instalada nos pulmões.
Pois é.
Aqui tem dessas coisas: entubam doentes de covid sem suficiente sedativo e, sabendo que a vítima irá acordar, amarram-no na cama. O doente acorda com um tubo de oxigênio enfiado traqueia abaixo, sente dor, medo, pânico, sente a morte lhe rondar e ao olhar em volta está amarrado.

Repito, leitor: desculpe o transtorno.

O Rei nos diz que não existe fome aqui, mas sobram as panelas vazias.
O Rei pede, inclusive, que encaremos tudo isso como “homens” e não como maricas.
Desculpe o transtorno. Gostaria de dizer que Estamos em Obras.
Eu e todos os meus amigos professores, médicos, trabalhadores árduos, pais, mães, gente que vê no futuro uma luz no fim desse túnel tão escuro qualquer luz que nos tire essa sensação de cegueira tão densa.
Mas o Rei não constrói nada. Apenas ceifa.
Então, vale repetir: Desculpe o transtorno.


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