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Tempo de Leitura: 3 minutos

Na boquinha da garrafa

Na boquinha da garrafa

“Vai ralando na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa” Poderia começar esta crônica – que pretensamente chamo de crônica – dizendo que não assisto Big Brother, porém antes preciso dizer, com a urgência de quem toma um susto, que vou mudar o rumo da prosa. Já que algum motorizado saudosista dos anos 90

Tempo de Leitura: 3 minutos

“Vai ralando na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa”

Poderia começar esta crônica – que pretensamente chamo de crônica – dizendo que não assisto Big Brother, porém antes preciso dizer, com a urgência de quem toma um susto, que vou mudar o rumo da prosa. Já que algum motorizado saudosista dos anos 90 acabou de passar pela minha janela ouvindo no volume máximo um dos hinos da música descartável baiana dessa época. Ouvia Na boquinha da garrafa em um volume, que o tal sujeito que estava dentro do veículo, dificilmente devia conseguir compreender alguma palavra da profunda e inexplicável letra.

Mas voltando ao que queria de fato falar e respondendo ao que havia introduzido como assunto:
Realmente não assisto ao BBB. Não sei quem é Karol Konká e nem quais são os outros participantes. Minha mulher diz que é coisa de velho resmungão.
E disso não posso discordar. My bad.

Hoje não assisto mais por desinteresse pela vida dos outros do que propriamente pelo preconceito que tenho do programa, ainda resistente na televisão brasileira.
Sim, tenho preconceito sim. Assumo. My bad II.

É mais pelo total desinteresse por pessoas convivendo enclausuradas com algumas provas e votações populares para serem excluídas ou não.
Meu tempo é valioso para isso.

Em contrapartida gasto parte do meu tempo assistindo e sofrendo com os jogos do Vasco, mas aí é vício antigo e muito difícil de erradicar. Deixa quieto.
E esse meu desprezo desinteresse pelo programa independe dos vários estudos sociológicos que a cada ano são produzidos em que tentam entender as nuances e características do brasileiro médio, do quanto a Globo ganha e manipula o jogo, assim como do comportamento das pessoas quando enclausuradas. E outros incontáveis blábláblás.
Opa. Enclausurados ainda estamos. Ou não?

Não. Não estamos.

Mesmo da janela posso perceber isso claramente. Eu mesmo tenho que sair em determinados momentos para resolver questões que só na rua posso resolver. E até reconheço que me faz bem andar e ver gente, por mais que não faça questão de contato algum e que eu desvie dos muitos que aqui cismam em andar sem máscara, como se nada estivesse acontecendo.
E digo que por aqui são muitos mesmo.

Saio mudo e volto calado. De máscara. Inclusive comprei umas com a estampa de jacaré. Falta só a vacina.
Ainda estão nos cidadãos com 80 anos. Vai demorar. Tenho só 45.

Nesta semana chegamos aos 250 mil mortos e a eminência de termos outro colapso na saúde pública e privada bate à porta. Bate não. A arromba como a polícia costuma fazer nas comunidades.
Bem diferente da casa do deputado bombadão que defende regime ditatorial em que a polícia toca a campainha, pede licença, toma um café e ainda dá tempo para o mesmo deputado fazer outra live ameaçando de novo o que nos resta de democracia.

Piada pronta: Ele vai pedir ajuda à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O mundo não dá voltas. Ele capota para alguns, não é mesmo?

Juro que tenho procurado me manter alheio ao noticiário pela manhã.

Ao menos pela manhã, que de cara percebo o quanto sou tomado de indignação com as notícias que chegam. Percebo que realidade e ficção se misturam com tanta força e apego que já não sei mais se estou lendo a Revista Piauí ou o Sensacionalista.
Continuando meu raciocínio já disperso:
Estamos há quase um ano em uma pandemia e ainda não temos um plano mínimo organizado pelo governo federal para imunizar e amenizar os efeitos do vírus. E isso até o bolsoloide mais radical sabe.

Inclusive uma boa aquisição para os quadros governamentais seria o padre Robson de Goiânia que segue os preceitos e características desse governo melhor que os preceitos bíblicos.
Esse parece ser ótimo em liderar quadrilhas e em logística e organização em pagar propinas e subornos e n
ão seria novidade para ninguém caso de fato ocorresse, nem para os que bovinamente seguem o negacionismo patrocinado pelo excrementíssimo.
Aquele que me recuso a repetir o nome. Dá azar.
Melhor chamar Beettlejuice ou a Maria Sangrenta que terei menos problemas.

E aí que queria chegar:
Nos escondemos ou nos distraímos com Big Brother, com o campeonato de futebol ou como eu faço evitando o noticiário?
Há alguma maneira em encontrar algum equilíbrio mental sem que precise tomar um sorvete atrás do outro no shopping para poder abaixar a máscara?
Ou nos entupindo de Prozac? Ou deixando o Bonner falando sozinho?

Nos enxergamos nesse movimento de maneira natural, como uma espécie de escapismo coletivo ou apenas seguimos o baile mesmo sem dançar?
Ou rebolamos na boquinha da garrafa?
Garrafa litrão, sem vaselina e com tampinha.
Sabe de nada, inocente! 


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