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A gente só se encontra em casamentos e funerais

A gente só se encontra em casamentos e funerais

Certa vez ouvi essa frase de um amigo, que fora muito próximo por um bom tempo da minha vida e que por força de trabalho e consequente mudança de cidade por parte dele perdemos contato.    Era o sepultamento da mãe de outro grande amigo em comum e ali nos víamos na dor sentida por

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Certa vez ouvi essa frase de um amigo, que fora muito próximo por um bom tempo da minha vida e que por força de trabalho e consequente mudança de cidade por parte dele perdemos contato.

  

Era o sepultamento da mãe de outro grande amigo em comum e ali nos víamos na dor sentida por ele, de já não ter pai vivo e naquele momento perder a mãe. Não arredamos pé até descerem o caixão e nos certificarmos que ele estava sob os cuidados da família. Sedado, triste, mas amparado.
Findado o sepultamento e como não nos víamos havia muito tempo foi automático ouvir desse amigo: “Vamos comer uma costela no Augustus pra colocar o papo em dia?”. Topei na hora e nem pensei em arranjar qualquer desculpa criativa ou esfarrapada que usava quando deixava bem claro que não topava determinado programa:
“Ih!, Hoje não vou poder! Tenho que levar minha avó para trocar a faixa no Taekwondo”. Essa era a minha preferida.

Assim que sentamos ouvi dele: “Porra! Estamos ficando velhos mesmo! A gente só se encontra em casamento e em funerais agora!”.
Demos risadas e ainda encontramos tempo de reclamar mais ainda desse fato, afinal assusta se perceber dentro dessa mudança “repentina” de encontros em festas e bebedeiras para bater de cara com a realidade da idade que avança.
E ainda pontuei que achava ótimo que nenhum destes funerais tenha sido o meu.
Nem casamentos.

E a partir desta frase passamos a nos lembrar das últimas vezes que tínhamos nos visto:

Não foi no enterro da mãe do fulano? Ou no casamento de sicrano? Tu foi quando beltrano perdeu o pai?
E assim fomos reconstruindo uma teia de encontros que cobriam uns 10 anos de nossa amizade que fora separada pela distância e pela obrigação de trabalho.
E São Paulo como é? Boa para trabalhar? E para viver?
O papo fluía através das minhas curiosidades sobre a cidade que hoje descobri ser uma das que mais adoro e naquela época era apenas uma incógnita baseada na rivalidade idiota existente com o Rio de Janeiro.
Depois desse dia me vi algumas vezes descendo a Rua Augusta ou degustando um sanduíche com mortadela no Mercado Municipal, que viraram meus pontos obrigatórios quando na cidade.
Aprendi a gostar da cidade a ponto de considerar morar nela, sabendo que têm defeitos como o Rio de Janeiro tem.
A diferença é que seriam defeitos novos.

Mas voltando, desce costela, desce cerveja para mim e desce Coca-Cola para o meu amigo acompanhando os vários assuntos que sobrevoavam a mesa naquelas duas horas que matamos a fome e a saudade.
Nem parecia que tínhamos saído de um funeral.
Os sorrisos já apareciam com certa frequência e com eles as histórias dos tempos de juventude em que ríamos muito de todas as besteiras que cometemos.
Histórias típicas que ficam entre amigos. E neste tipo de conversa a hora passa e nem se percebe.
Mas tínhamos que ir embora, afinal já tinha muito tempo que meu amigo não vinha ao Rio e precisava visitar também sua família.
Na despedida trocamos o seguinte diálogo:

Então, bicho! Quando que você vai se casar para gente se ver de novo?
Eu? Tá maluco? Nunca! Já caí nessa uma vez.
E você? Eu também não! Tá doido? Juntado com fé, casado é.
Então quando que a gente vai se ver de novo?
Hummm, que não seja no meu velório.
Cruz Credo! Nem no meu!


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