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Tempo de Leitura: 2 minutos

Em um banho de cachoeira

Em um banho de cachoeira

Sentei em uma pedra ovalada e lisa, daquelas fáceis de escorregar, caso tente fincar o pé. Apenas me apoiei nela e deixei o peso do corpo equilibrar o restante e nem a força da água me movia. Dali inclinando levemente a cabeça para frente podia observar a copa das árvores bem altas que cercavam aquele

Tempo de Leitura: 2 minutos

Sentei em uma pedra ovalada e lisa, daquelas fáceis de escorregar, caso tente fincar o pé.

Apenas me apoiei nela e deixei o peso do corpo equilibrar o restante e nem a força da água me movia.
Dali inclinando levemente a cabeça para frente podia observar a copa das árvores bem altas que cercavam aquele ambiente de leveza única.
E o fiz inúmeras vezes.
Por inúmeras vezes me inclinava para frente, observava as árvores e para trás para me ver dentro da corrente de água que apaziguava meus pensamentos.
Como em um pêndulo equilibrava meus prazeres.

Podia sentir o pulsar do meu coração desacelerado mesmo com o barulho incessante e poderoso do contato da água límpida com as pedras.
Meu batimento estava compassado e ainda me fazia prestar atenção a minha respiração, isso quando não estava sendo abordado pelo vigoroso cair das águas em minha cabeça.
Esse movimento parecia como um cafuné da natureza nessa cabeça sempre quente e acelerada em que podia inclusive ouvir: “Sossegue e aproveite”.

Meus pés submersos estavam bem visíveis e pude sentir alívio em ter contato com a areia do fundo enquanto meus dedos enrugados indicavam que perdi a noção de tempo.
Não me preocupei, porque não há carinho melhor do que aquele proporcionado por você mesmo.
Melhor ainda que seja através da natureza.

Falei do ar ali respirado?

Tão limpo quanto a água que me cobria.
Tão vivo que passei a observar o quanto ele me ajudava naquele processo de purificação.
A água e o ar. A água, o ar e as árvores.
Todos juntos ali só pra mim, como se o tempo tivesse parado para que aquele momento acontecesse.
A claridade, que se atrevia a passar pelos estreitos espaços deixados pelas árvores, aparecia naquele momento mais intenso e presente vindo direto no meu dorso.

A água, o ar, as árvores e a luz.
Como se fosse um jogo dividido em fases progressivas e que dependesse da observação destes três primeiros para entender o caminho de alguma luz.
Essa luz que era só minha, ia tomando conta de todo ambiente e ao abrir meus olhos nem precisei de óculos para enxergar.

Já estava bem acomodado na pedra lisa e finalmente tinha me acostumado com a força da água na nuca.
E não tinha nenhum motivo para sair, exceto pela percepção de que justamente por estar muito cômodo e confortável deveria passar a próxima fase.
Levantar e seguir adiante.
Havia finalmente entendido que o desconforto pode me mostrar outros caminhos, afinal tudo se movimenta em progressão contínua, nada está parado nem quando se puxa o freio de mão.

Foto por SummitPost.


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