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Tempo de Leitura: 2 minutos

Rir é um Ato de Resistência

Rir é um Ato de Resistência

Sempre acreditei no riso. Quando criança tinha o riso frouxo. Não só acredito e sempre acreditei: sempre busquei o riso, em minhas leituras, nos bons filmes que muita gente não vê, nos shows de stand up cada vez mais comuns aqui no Brasil, nas sitcons, na vida, enfim. Minha busca pelo riso tem uma explicação

Tempo de Leitura: 2 minutos

Sempre acreditei no riso.
Quando criança tinha o riso frouxo.


Não só acredito e sempre acreditei: sempre busquei o riso, em minhas leituras, nos bons filmes que muita gente não vê, nos shows de stand up cada vez mais comuns aqui no Brasil, nas sitcons, na vida, enfim.
Minha busca pelo riso tem uma explicação tão simples que chega a ser cretina: Desde jovem, sofro de uma depressão ferrenha, que já me arrancou numerosos dias de paz, e muita da minha vontade de viver.
Afinal, depressão não é uma doença simples.

Então, buscava a cada dia amargo, o doce antídoto para esse mal.
Por essa razão, sempre simpatizei especialmente humoristas.
Não com qualquer humorista, ou quase-ator metido a engraçado.
Existe um abismo de proporções homéricas entre quem tenta ser engraçado e quem realmente consegue sê-lo.

Mas, viciada no riso e nas pessoas repletas desse dom de fazer rir, só entendi minha feliz dependência ao assistir a um vídeo de Whindersson Nunes, que colocou em palavras tudo o que eu sempre pensei:

 

“Eu acredito no riso”.

 

Desde então, adotei essa frase por entender que o riso é, sem dúvidas, um fator de cura para inúmeros males.
É pelo riso que formamos conexões importantes com pessoas que mudam nossas vidas, direta ou indiretamente.
É também por meio dele que fugimos dos momentos complicados, nos quais palavras não cabem, e o silêncio pressiona.

Eu acredito no riso porque o riso nos liberta dos nossos demônios, das dores que a vida carrega consigo, das agruras da vida adulta.
Quem ri, ainda que por um segundo, volta a ser criança.
E, cá pra nós: Tenho a impressão de que só as crianças são realmente felizes.


Digo isso tudo porque um dos grandes portadores desse incrível dom de nos fazer crianças, foi embora.

Paulo Gustavo, 42 de anos, nascido em Niterói, genial, brilhante, mestre nos palcos, recorde nacional de bilheterias, partiu em um processo lento e doloroso, por causa da COVID.
Paulo, filho da Dona Déia, pai de Romeu e Gael, marido de Thales Bretas.
Paulo Gustavo, que fazia a plateia rir até a barriga doer.
Paulo Gustavo, que fazia troça da mãe, da empregada, da madrasta, da tia, tudo junto, mas com respeito e carinho.
Paulo Gustavo, que realmente parecia uma mãe cansada e descontrolada em suas apresentações.
Paulo Gustavo, em quem eu vi minha mãe tantas vezes. E você, leitor, certamente, viu a tua também.
Paulo Gustavo que deu mais de 1,5 milhões para a caridade, segundo o Padre Júlio Lancelotti.
Paulo Gustavo, que ajudava os necessitados sem comentar nada com ninguém.
Paulo Gustavo, que morreu sem ar, mesmo tendo doado 500 mil reais para compras de oxigênio em Manaus.
Paulo Gustavo, que fez mais pelo povo do que o Rei. E pela inação do Rei, não foi vacinado a tempo.

É estranho falar de riso, quando a real vontade é de manter um luto calado.
Paulo Gustavo salvou inúmeros dos meus dias.
Com sua partida, vai-se embora também um pouco da minha esperança de que os momentos ruins passam, e de que poderemos rir disso tudo no futuro.

Mas fica a mensagem dele: Rir é um ato de Resistência.
Faz sentido: Porque a vida é difícil, porque nada que vale a pena chega até nós sem grandes sacrifícios, porque há dias em que até levantar é um desafio.

Em nome de todos os bons momentos, mantenhamos a resistência.
Vamos rir.
Se nada nos salva da morte, que o RISO nos salve da vida.


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