728 x 90
Tempo de Leitura: 2 minutos

Bolsonarismo genérico: vide bula por Xico Sá

Bolsonarismo genérico: vide bula por Xico Sá

A turma do Palácio do Planalto chegou a redigir uma nova bula para a Hidroxicloroquina, contou o ex-ministro Mandetta na CPI de Brasília. A ideia dos iluminados era autorizar oficialmente o remédio para o tratamento da Covid-19. Não se pode mudar a opinião dos estudiosos e cientistas, ora, mude-se a bula, o laboratório de lorotas

Tempo de Leitura: 2 minutos

A turma do Palácio do Planalto chegou a redigir uma nova bula para a Hidroxicloroquina, contou o ex-ministro Mandetta na CPI de Brasília. A ideia dos iluminados era autorizar oficialmente o remédio para o tratamento da Covid-19. Não se pode mudar a opinião dos estudiosos e cientistas, ora, mude-se a bula, o laboratório de lorotas do bolsonarismo genérico tudo pode. Um governo se faz com placebo e fake news.

O problema sempre foi a bula, desde 2018. Mesmo com todas as contraindicações e advertências, 57.796.986 de eleitores resolveram, de forma destemida, se submeter aos efeitos colaterais. Um risco democrático. Assim como um hipocondríaco que ignora a posologia e o modo de usar. Acontece nas melhores famílias dos “cidadãos de bem” desse país.

Vide bula.

Importante saber, logo nas primeiras linhas, a composição. Uma leitura atenta teria mostrado que este medicamento eleitoral —chamemos de Bolsoquina, a essa altura da jornada — era contraindicado para o bom funcionamento da democracia e da ciência.

Na praça havia quase 30 anos, o suposto remédio apresentava um histórico de reações alérgicas, náuseas e vômitos em pacientes sensíveis aos atos inconstitucionais e crimes de tortura, racismo, xenofobia, homofobia, entre outros.

O destemido eleitor pode alegar que o seu organismo carecia, naquele momento, de alguma droga antipetista como quem precisa de anticorpos no sangue. Pouco ou nada importavam os distúrbios nervosos ou mentais que viriam no futuro próximo.

Tudo está na bula.

Há quem faça interrupção do tratamento diante das reações adversas, como os arrependidos, o que podemos classificar como uma atitude sensata. Há também quem parta direto para a ignorância e a superdosagem, como os pacientes que se jogaram nas ruas domingo, pedindo novas amostras grátis do mesmo purgante. A ideia dessa gente é torcer pelos sintomas que persistem. Jamais pela cura.

Informações ao paciente. Muito cuidado, pelo menos, com a data da validade da solução adotada. Em casos graves, prescreve-se, desde que a receita esteja amparada na lei, o impeachment. Vide a Constituição, a bula de todas as bulas.

 

Publicado no Diário do Nordeste.
Foto por: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil.


Nos siga também no Facebook e no Instagram!

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

Sugestões de Leitura

Vale a Leitura!

Descomplica pós