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Tempo de Leitura: 3 minutos

Primeira crônica na casa nova

Primeira crônica na casa nova

Na casa nova habita um silêncio que não estava acostumado definitivamente.   Só ouço ao fundo, pelas paredes finas, a animada conversa das vizinhas do apartamento ao lado de como a voz a da Aracy de Almeida era linda. Na verdade era uma discussão mesmo, daquelas acaloradas que vemos muito em botequim em defesa de

Tempo de Leitura: 3 minutos

Na casa nova habita um silêncio que não estava acostumado definitivamente.

 

Só ouço ao fundo, pelas paredes finas, a animada conversa das vizinhas do apartamento ao lado de como a voz a da Aracy de Almeida era linda. Na verdade era uma discussão mesmo, daquelas acaloradas que vemos muito em botequim em defesa de algum time de futebol ou de um político de estimação. Eu só lembro dela já bem rabugenta e com a voz arrastada como jurada do Silvio Santos ou do Chacrinha.
Ou de ambos, sei lá.

Ainda cercado de todas as restrições que toda mudança recente de domicílio impõe me vejo sem TV e Internet. O máximo que consigo é utilizar meu já gasto 4G de uma operadora que oferece um serviço horrendo. Quase como uma regra para aqueles que defendem que tudo seja privatizado.
“Privatiza que melhora”.
E tem idiota que ainda acredita nisso.

Voltando ao assunto em si, é até bom ficar sem tv e internet, sabia? Já sei de antemão que me pouparei de assistir ao jogo do Vasco amanhã e, portanto não me aborrecerei como de costume. Isso sem mencionar que estarei livre de saber de qualquer excrescência vinda do atual governo federal.

Os gatos ainda estão se habituando ao espaço reduzido e aos sons do novo local. Sim, há silêncio, mas também há os ruídos característicos de qualquer lugar. Esporadicamente há crianças chorando, cachorros latindo no prédio, mais crianças correndo pelo condomínio e o andar pesado de algum morador de cima que parece estar em marcha.
Nada que incomode.

primeira crônica na casa nova

Canjica e Chico ainda se mostram ressabiados e procurando conhecer o local novo, já o Zé do Carmo está como se aqui tivesse sempre vivido. Achou seus potes de água e ração e identificou o lugar mais alto e confortável para descansar.
Ou seja, está em casa.

Por mais que seja um sábado à noite reina o silêncio, a não ser pela vizinha do terceiro andar que cantava um pagode dos anos 90 enquanto cozinhava. Em alto volume e plenos pulmões. O fôlego só durou 3 músicas e a partir dali rolou uma sequência de Tim Maia em volume bem mais baixo. E sem seu acompanhamento vocal.
Tim Maia, né?

Aqui ao lado ouço mais vozes, parece uma reunião familiar e o assunto mudou de Aracy de Almeida para Elke Maravilha, mas não ouvi o conteúdo da constatação coletiva. Nem lembro se ela cantava ou se era “apenas” jurada do programa do Chacrinha. Só me recordo do seu eterno sorriso escancarado que por vezes não me parecia força de algum contrato assinado. Parecia algo genuíno e é algo que continua raro.

Elke Maravilha e seu sorriso

Sei que reza a regra que toda crônica deva ter uma conclusão ou um desfecho, algo que junte alguns dos pontos que tenham sido citados. Não diria regra, pois não temos um manual em si que obrigue e determine regras. Diria que seria de bom tom e demonstraria um quê de perspicácia por conta do seu autor. Um laço elegantemente colocado em cima da caixa de presente.

Porém vencido pelo cansaço de ter carregado dezenas de caixas, esta em si talvez seja diferente. Não consegui pensar em nada mesmo. Posso dizer que estou moído pelo cansaço físico e mental. Então assim eu só queria dizer que, ciclicamente, todo fim continua sendo um recomeço.
Mas isso é algo que todos sabem, não?
Desculpem deve ser o cansaço.

 

Foto por : Antonela Sartini.


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