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A história do Exército Brasileiro Por Fernando Horta

A história do Exército Brasileiro Por Fernando Horta

Historiador refuta a tese que diz que organização militar teve início na Batalha dos Guararapes e ressalta golpismo da instituição ao longo dos séculos, que retorna agora sob o governo Bolsonaro.   Por favor, parem de dizer que “o exército brasileiro foi formado na Batalha dos Guararapes”. Isso é de uma imbecilidade de quem NUNCA

Tempo de Leitura: 3 minutos

Historiador refuta a tese que diz que organização militar teve início na Batalha dos Guararapes e ressalta golpismo da instituição ao longo dos séculos, que retorna agora sob o governo Bolsonaro.

 

Por favor, parem de dizer que “o exército brasileiro foi formado na Batalha dos Guararapes”. Isso é de uma imbecilidade de quem NUNCA estudou história do Brasil minimamente.
Que milico burro acredite nisso é ruim, mas ver gente nossa defendendo este absurdo é inaceitável (+) 

O exército brasileiro foi formado para a Guerra do Paraguai, também conhecido como genocídio do povo paraguaio. Foi formado com batalhões de negros cuja promessa era que se eles sobrevivessem seriam libertados. Eram, portanto, escravos. 

Seus comandantes eram TODOS agraciados com títulos de nobreza para que ficassem sob tutela de encantamento do imperador. O único estado que cumpriu a promessa de libertar os negros foi o RS e isso depois da traição do Massacre de Porongos

As forças armadas, em pleno século XX, ainda aplicavam “castigos físicos” contra negros. Como mostra a Revolta da Chibata de 1910. Foram essas forças armadas que se colocaram contra os tenentes que buscavam a mudança do regime aristocrata do “café-com-leite” na década de 20. 

Atacaram seus próprios quadros jovens para defender a aristocracia rica cafeeira e depois até 1945 se prestaram a defender a ditadura do Estado Novo. Isso enquanto expulsavam de seus quadros os oficiais de esquerda como o grande Prestes. 

Prestes cuja memória foi apagada da instituição do exército (como também Lamarca) sendo que só no início do século XX sua nota final na academia militar conseguiu ser superada. Enquanto idolatram generais genocidas, escondem as violências contra seus integrantes não alinhados. 

Em 1945 dão um golpe em Vargas para atender aos interesses norte-americanos. Eurico Gaspar Dutra (general) é eleito e faz o governo mais alinhado com os EUA até a dobradinha Bolsonaro-Trump. Ali se atacou diretamente o controle do país sobre seu subsolo. Especialmente o petróleo.

 

Entreguistas e subservientes foram cooptados por medalinhas e divisas com a formação da “Escola das Américas”. Batiam palmas por receberem o equipamento obsoleto que os EUA usaram na segunda guerra mundial e se contentavam em serem os “feitores” dos EUA na América do Sul. 

Não suportaram ver Juscelino, Jango e Brizola que longe de serem “comunistas” na época, faziam uma política com um mínimo de nacionalismo e distribuição de renda no país. O projeto de desenvolvimento do país irritou os americanos que colocaram seus serviçais verde oliva no golpe. 

De 64 a 85 foi o absurdo que todos conhecemos. Corrupção em tudo. Só a construção de Itaipu teve uma “empresa” própria para gestão da obra que se aponta custou mais que o dobro do preço real para o país. Malas de dólares entregues a oficiais e foi neste período que surgiu Maluf 

Aqui também criaram o conceito de “inimigo interno” para poderem prender, torturar, sequestrar e matar cidadãos brasileiros. Foi sempre um exército que atacou o povo. Gente falsa que chora pela bandeira e espanca cidadão nas ruas a mando das elites ricas ou dos EUA. 

Agora, os mesmos doentes que eram tenentes e capitães entre 64 a 85 voltam com a idiotia do “anticomunismo”. Eram esses que hoje são generais os encarregados das ordens sujas no regime de 64. Não é à toa que figuras como Heleno ou Mourão sejam tão despreparados. 

Ou contamos a história de violência e submissão desta instituição ou vamos ficar tomando golpes em looping o resto de nossa existência. Eles se acham fundadores do país (através do golpe de 1891) e uma espécie de “poder moderador”. Em realidade são capatazes das elites. 

Deodoro da Fonseca, o marechal do golpe contra o império era monarquista e só apoiou o golpe por interesses pessoais. Floriano Peixoto (o marechal de ferro) manteve o regime com violência e degola. 

 

O Duque de Caxias, quando se recusou a matar paraguaios indo até Assunción foi retirado do comendo pelo imperador e passou a fazer oposição. Dizia que soldado não era assassino. E suas lições nunca foram seguidas por uma tropa de traidores do povo. 

Cândido Rondon tinha uma visão paternalista sobre a região norte. E isso, para a época, era algo revolucionário. Defendia a obrigação do exército para com as populações indígenas e a região para além da simples manutenção das fronteiras. Hoje o exército apoia garimpos e desmata. 

Henrique Teixeira Lott evita uma ruptura institucional que tentava não permitir Juscelino assumir. Evita um golpe contra a democracia e se coloca como figura legalista na década de 50. O General Machado Lopes evita o golpe militar em 1961. Outra figura constitucionalista. 

Os diversos oficiais que foram torturados e tiveram suas famílias mortas pelo regime de 64 são escondidos pela instituição que nunca escolhe os bons exemplos de seus oficiais. Prefere render homenagens a torturadores, assassinos, genocidas e golpistas. A instituição é doente. 

Hoje, vivem do dinheiro do estado com todas as benesses possíveis (os oficiais, claro). Têm justiça própria, escolas próprias, hospitais próprios, condomínios próprios, hotéis próprios e consomem cerveja, picanha e leite condensado enquanto o povo passa fome. 

Sentem-se superiores ao mundo civil, mas quem conhece qualquer quartel sabe que não resistem a uma auditoria minimamente atenta.

#VoltemProQuartel e deixem o povo resolver os problemas que vocês criaram. 

 

*Fernando Horta é professor e historiador.


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