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A negligenciada luz no caos – Parte Final

A negligenciada luz no caos – Parte Final

Esta é a parte final de uma história real e que com certeza acontece em toda parte. Talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça. Em todas elas com A negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos   Novo, prateado e bem distante dele. Distante em todos os sentidos.

Tempo de leitura: 2 minutos
Esta é a parte final de uma história real e que com certeza acontece em toda parte.
Talvez com mais detalhes que eu tenha conseguido agregar ou com mais ficção que mereça.
Em todas elas com A negligenciada luz no caos que dificilmente enxergamos

 

Novo, prateado e bem distante dele.

Distante em todos os sentidos.

Se fosse bem sucedido teria um deste, refletiu de imediato.

Se sua família fosse rica teria um destes, no entanto como não era se contentava com seu velho Ford barulhento.

Só não entendia porque pensava em sua família se nunca se encaixou nela.

 

Passou pelo muro da fábrica da Marinha e agora que havia passado por ele parecia ser mais perfeito ainda para seu plano.

Alto, extenso e não parecia abrigar nenhuma casa nas proximidades.

Preocupava-se em não machucar outras pessoas, já que ninguém tinha nada com sua partida tampouco com suas inabilidades com a vida.

Titubeou.

Almejou, então, o poste no final da curva longa.

Seria perfeito!

Apenas causaria alguns momentos de engarrafamento matinal, algum trabalho para os bombeiros e esperava que nenhum para os médicos, se é que eles viriam.

Nada diferente de uma manhã comum na cidade grande.

 

Manteve o ritmo forte e quando olhou de novo pelo retrovisor o carro esporte prata já estava tão próximo que viu a feição obstinada do seu motorista.

Testa franzida e semblante fechado como o de quem sabe o que quer.

Foi ultrapassando como se estivesse parado na faixa.

O som agudo e intenso do potente motor o fez acompanhar do seu lado esquerdo o voo cinematográfico patrocinado pelo desnível de pista que a falta de manutenção municipal presta.

O efeito de tanto álcool não o impossibilitou de enxergar claramente o exato momento que a máquina se espatifou no poste que ele havia escolhido anteriormente como seu alvo.

O metal retorcido e as labaredas que saíram imediatamente o fizeram parar seu velho carro na pista, esboçou uma curta reação pela vida de alguém que já não estava mais lá.

Parecia cena daqueles filmes de ação dos anos 80 que tanto assistiu.

 

Sebastião parou tão perto que podia sentir o calor das chamas passeando pelo seu rosto.

Ainda assim não soube o que fazer.

Percebeu que seu pequeno extintor velho e fora de validade seria incapaz de apagar ou mesmo apaziguar as chamas.

Não avistou marcas de freio na pista.

Abaixou a cabeça e se conformou com a morte.

Em alguns segundos outros carros também pararam e a ele se juntaram outros motoristas também sem reação perante a gravidade do acidente.

Acidente que só ele sabia que não se tratava de um acidente.

Alguém chegou antes dele.

 

Foto por: Jeffery Vincent

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

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