Antolhos

Antolhos

 

Os caminhos que seguimos são invariavelmente caminhos sem volta.
Vestir os antolhos e seguir em frente por vezes ajuda como em um cavalo puxador de carroças e sem perspectivas.
A ignorância realmente é uma benção.
Normalmente não temos muita noção que o que está por vir é infinitamente superior ao que acabamos de perder.

 

Se recuperar subsequentemente a uma derrota é tarefa das mais difíceis,
Acreditar que no dia seguinte as nuvens já terão se dissipado é caso para os mais evoluídos e otimistas e posso dizer que pouquíssimos conseguem se refazer rapidamente a um soco do Mike Tyson.
Cambaleamos.
Muitas vezes nem dá tempo de esquivar.
E aí esperamos pelo segundo soco.
Muitas vezes o primeiro basta e faz o nariz parar na nuca.

 

Ainda assim há respiro para o troco.
Sempre há.
Mas preferimos sentar no meio fio, deixar o sangue escorrer e chorar.
Parece que temos uma espécie de apego pela autopiedade.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.