Antolhos

Antolhos

Os caminhos que seguimos são invariavelmente caminhos sem volta.

Vestir os antolhos e seguir em frente por vezes ajuda como em um cavalo puxador de carroças e sem perspectivas.

A ignorância realmente é uma benção.

Normalmente não temos muita noção que o que está por vir é infinitamente superior ao que acabamos de perder.

 

Se recuperar subsequentemente a uma derrota é tarefa das mais difíceis,

Acreditar que no dia seguinte as nuvens já terão se dissipado é caso para os mais evoluídos e otimistas e posso dizer que pouquíssimos conseguem se refazer rapidamente a um soco do Mike Tyson.

Cambaleamos.

Muitas vezes nem dá tempo de esquivar.

E aí esperamos pelo segundo soco.

Muitas vezes o primeiro basta e faz o nariz parar na nuca.

 

Ainda assim há respiro para o troco.

Sempre há.

Mas preferimos sentar no meio fio, deixar o sangue escorrer e chorar.

Parece que temos uma espécie de apego pela autopiedade.

 


O que você acha?
Facebook Comments

Posts Relacionados

A Volta do Palhaço Me sinto um palhaço na maior parte do tempo, Um palhaço triste por se sentir assim, mas que se esforça para enxergar tudo isso de FORA DO PICADE...
Dia dos Pais O que escrever sobre o dia dos pais sem parecer clichê? E isso em mais uma data comercialmente clichê... Não sou pai e na minha memória nunca ...

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.