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Carnaval e toda a sua alegria disfarçada

 

E se toda alegria disfarçada no carnaval
Fosse transferida para o restante do ano?
 
Já pensaram nisso? E aqui vai uma provocação de carnaval.
Se entendêssemos o que é a felicidade durante o ano todo ainda assim precisaríamos do carnaval?
Talvez  não teríamos necessidade de qualquer desculpa para nos fantasiar, para podermos beijar ou para nos permitir ser quem realmente somos.
E curiosamente ser absolutamente a mesma pessoa que reside no seu corpo durante o resto do ano.

 

Não conheço ninguém desprovido totalmente de limites sociais e talvez por isso tenhamos a necessidade de nos esconder em máscaras e fantasias.
E outros se escondem em raivosos perfis fakes no restante do ano.

 

E pior, aquele que não quer participar da festa ou por ser contraposto a esta felicidade gratuita ou simplesmente porque não gosta, é ridicularizado e visto como “esquisito”.
Uma colega de trabalho se negando a vestir um adereço durante a véspera de carnaval se viu obrigada a perguntar em voz alta:

 

“Está no meu contrato de trabalho que eu tenha que vestir isso?”

 

Ri alto e me senti representado por ela afinal um artesanato simplório na cabeça traz alguma felicidade ou camufla o vazio existencial que cada vez mais sentimos?
E daí nos escondemos mais ainda.
Provavelmente de nós mesmos e daquilo que não queremos enxergar.
 

 

O que hoje de fato significa o carnaval brasileiro?

 

Ainda assim me pergunto, quem sou eu para criar este tipo de dúvida que já reside na alegria morta do gari que recolhe sambando todo o lixo despejado?
Quem sou eu para julgar o sorriso forçado do Rei Momo?
E aos repórteres de plantão que fazem as mesmas perguntas ano após ano ao cansado mestre-sala?
Posso julgar alguém por ainda chamar a passista de “mulata”?
Posso eu condenar quem se fantasia para aproveitar a folia sem ser reconhecido e confirmar que ele é apenas mais um na multidão?
Que poder tenho de reclamar do resultado da apuração das escolas de samba?
Pergunto isso pelo carnaval na minha cidade ainda ser capitaneado pelo jogo do bicho.

 

E este tanto de gente no país todo celebrando o nada?
Como poderia definir a felicidade alheia se este é um sentimento pessoal e intransferível?
Mas levemente entorpecido por algumas garrafas de cerveja e pelo silêncio incomum no prédio que moro, chego mais uma vez a conclusão que na quarta-feira de cinzas tudo voltará a ser como era. 
Mas ainda assim eu desejo que todos vocês tenham um ótimo carnaval.
Se escondendo ou não.

 


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