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Tempo de Leitura: 4 minutos

Carta aberta para quem mantive longe

Carta aberta para quem mantive longe

Nada vai ser como antes! E não vai mesmo! Neste período que estamos passando muitas relações pessoais se perderam na discordância de opiniões, no debate político travestido de disputa futebolística e na falta de um olhar mais empático ao próximo e mais de acordo com a nossa realidade. Falado isso, faço questão de deixar todos

Tempo de Leitura: 4 minutos

Nada vai ser como antes!

E não vai mesmo!
Neste período que estamos passando muitas relações pessoais se perderam na discordância de opiniões, no debate político travestido de disputa futebolística e na falta de um olhar mais empático ao próximo e mais de acordo com a nossa realidade.

Falado isso, faço questão de deixar todos tranquilos e que não se sintam excluídos ou mesmo abandonados.
Nada disso! Não sou tão importante a este ponto e isso nem preciso lhes assegurar.

Afinal se prestarmos bem atenção este é um processo que a vida nos direciona de tempos em tempos, que é o de se aproximar de pessoas com quem há similaridades nas ideias, nas condutas e principalmente no caráter.

Apenas me mantive distante e vejo como um movimento natural, assim como a respiração que expande e em seguida contrai o abdômen.

Pensem que o ganho é duplo!

Vamos amenizar este sentimento de perda ou de soberba, afinal cada um pode interpretar da maneira que desejar.
Vocês não vão mais ter que pensar se devem ou não mandar aquela piadinha homofóbica no grupo que eu estiver presente, pois nem mais presente no grupo de Whatsapp estou!
Olhem que maravilha.

Eu sei o que vocês vão falar!
Já fiz isso também, eu sei!
A questão é que hoje prefiro pensar que não há nenhuma razão em fazer piada com qualquer característica ou condição sexual de ninguém.
Maldito politicamente correto que me fez pensar no incômodo que isso pode causar no outro, não é mesmo?

Vocês estão livres de mim agora!

Livres para disseminar qualquer fake news que queiram, inclusive aquelas recebidas da sua tia reaça! Aquela que era fofinha, gente boa, uma velhinha acima de qualquer suspeita. Só que não.
E viva a mamadeira de piroca sem a minha presença para questionar a porra (sem trocadilho) da fonte!

Agora vocês podem destilar o preconceito por quem mora na favela!
Nem vão mais precisar justificar a frase: “Tomou tiro porque tava no morro! Quem mandou estar lá”.

“Agora o grupo vai ser divertido! Aquele chato saiu, porra!”.

Estes preconceitos travestidos de opiniões estão livres de qualquer questionamento meu!
Como quando eu perguntava: E aquele que mora na favela também é justificado ter tomado tiro?

“Chatão, não é mesmo? Agora ele quer lacrar, vê se pode!”

E não se trata de julgamento meu, afinal eu não sou capaz de julgar ninguém, mas sou capaz sim de definir quais companhias agregam e quais não mais.
Aquelas que têm algo a me oferecer em crescimento pessoal e se recusam a sentar em cima da bola e bradar: “Sou assim e não vou mudar!”.
São estas companhias que hoje procuro!

Não se preocupem mais em dizer: “Você não está entendendo o que eu disse…”.

Eu entendi sim, mas agora nem faz diferença, não é mesmo?
Algum preconceito se modifica quando alguém o aponta?
Ou vocês continuam de peito estufado e cara dura dizendo “Que papo de viadinho é esse agora?” como ouvi bastante.
Relaxem o “viadinho” não sai mais para beber cerveja com vocês.
Tá tudo liberado agora.

Pessoal, relaxe!

O chato do mimimi não vai perturbar vocês com misoginia, preconceito e racismo que faz parte continuamente da pauta de assuntos embalados por uma generosa quantidade de cerveja.
Afinal enquanto uns mudam, outros se recusam a se adaptar às mudanças.

E acreditem, ainda há aqueles que mudam para pior!
Ou será que sempre o foram e eu que não percebi?
Ou preferi não enxergar?

Temos aqueles que negam também!
Negam a ciência, negam que ainda exista racismo, negam que houve ditadura, negam eficácia da vacina e também negam que a Terra seja arredondada.
Negam, negam e negam. Ou seja, negam ao raciocínio e a tantos séculos de estudos e avanços.
Um passo pra frente e vários para trás.
Há inclusive os que negam os próprios preconceitos enraizados ou que preferem varrê-los para baixo do tapete.
Ninguém tá vendo, né?

E isso faz de vocês pessoas más?

Eu, sinceramente não sei, mesmo porque já agi assim e hoje me envergonho muito de certos comportamentos que tive. E em muitas outras vezes me questionei com o que ouvi de alguns de vocês e que eu me calando também agi de acordo.
Quem silencia também é responsável.

Ainda assim esse embrutecimento nos sentimentos é algo que identifiquei em mim quando enfrentei o espelho e detestei aquele reflexo cansado a que me sentia preso.
Me senti adoecido, estagnado e impotente só de pensar em sugerir mudanças de pensamento para os outros.
Ou pedir por um mínimo de respeito.
“Ah porra! Lá vem você com esse papo de novo?”

Se é que vale de alguma coisa sugiro um exame de consciência do tipo:
Se fosse contigo você se incomodaria?
Se conseguir se fazer esta pergunta já seria um bom passo.

É triste, eu sei

Mudar é difícil demais e aceitar mudanças no meio da vida é mais complicado ainda.
Ser ou exigir perfeição não é o caso, o que sugiro é tentar errar menos se colocando no lugar do outro.
Esse talvez seja meu mea-culpa: Fui assim e tento me observar para não ser traído por algum hábito antigo.
E s
e trata de um exercício diário tentar não perpetuar meus preconceitos mais enraizados, aqueles passados de pai para filho, ainda que saiba que em algum momento falharei.

Não há como fugir, todos somos orientados por uma base ideológica como dizia Paulo Freire  e assim resta descobrir se a sua é excludente ou inclusiva.
Não queria que fosse necessário o afastamento e que percebêssemos juntos o tanto que podemos tentar melhorar como pessoas.
Alguns toparam esse desafio, já outros nem mesmo quiseram ouvir e graças a estes que consegui me ver no espelho que disse no começo do texto.

E o que falo aqui vai além de lado político, já que não me afastei de alguns por discordâncias políticas, mas sim pelo que fizeram e por como se mostraram de verdade por razões políticas.
Escorados e agora devidamente representados mostraram o pior que habita em cada um de nós.
E o meu pior tento manter nos porões do meu raciocínio.

Finalizando para não tomar mais o tempo de vocês

Acreditem, neste caso o melhor é manter distância, afinal nada vai ser como antes.
Nada mesmo e tudo bem.
Se somos e estamos sempre em constante mudança
que sigamos o ritmo do pêndulo e aprendamos a lidar com elas (as mudanças) imaginando que virão (e estão vindo) em uma velocidade cada vez maior.

Paciência. Aceitar dói menos, não é?
E segue o jogo.
Ou melhor, segue a vida.


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