Clarice Lispector Trechos do livro A Hora Da Estrela

Clarice Lispector: Trechos do livro A Hora Da Estrela.

Hoje é aniversário de Clarice Lispector que se viva completaria 98 anos e por isso coloco aqui trechos do do livro A Hora Da Estrela que talvez seja sua obra mais conhecida.

 

“… o vazio tem o valor e a semelhança do pleno.
Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu – a meu mistério.

 

“Se tivesse a tolice de se perguntar ”quem sou eu?” cairia estatelada e em cheio no chão. É que quem sou eu? provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.

 

“… minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. Embora não aguente bem ouvir um assovio no escuro, e passos.

 

“… quero aceitar minha liberdade sem pensar o que muitos acham: que existir é coisa de doido, caso de loucura. Porque parece. Existir não é lógico.

 

“É melhor eu não falar em felicidade ou infelicidade provoca aquela saudade desmaiada e lilás, aquele perfume de violetas, as águas geladas da maré mansa em espumas pela areia. Eu não quero provocar porque dói.

 

“Mas quem sou eu para censurar os culpados? O pior é que preciso perdoá-los.
É necessário chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame o criminoso que nos mata.
Mas não estou seguro de mim mesmo: preciso amar aquele que me trucida e perguntar quem de vós me trucida.
E minha vida, mais forte do que eu, responde que quer porque quer vingança e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra depois.
Se assim é, que assim seja.

 

“… irei até onde o ar termina, irei até onde a grande ventania se solta uivando, irei até onde o vácuo faz uma curva, irei aonde meu fôlego me levar.

Conheça Clarice!

 

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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.