Coca-Cola zero

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-Oi mulher, voltei! Sentiu minha falta?

-Já voltou?  Rápido, hein? Nem deu para perceber! Quatro anos para trazer uma Coca-Cola…

-Verdade! Precisava resolver umas coisinhas na minha mãe. E como está tudo por aqui?

-Por aqui está quase tudo como você deixou e por falar na sua mãe, como está a jararaca?

-Não fale assim dela, ela morreu no começo deste ano! Mas foi melhor assim já ela estava sofrendo muito desde que meu pai se foi.

-Seu pai também?

-É. Trabalhou a vida toda, né? Quando se aposentou, caiu no hospital.

-Podia ter ligado para avisar, eu gostava tanto do seu pai, já a sua mãe vivia me dizendo que você estava procurando pela Coca-Cola e que voltaria logo, eu até podia sentir certo ar de deboche na resposta dela.

-E ela estava certa. Voltei rápido! E o guri?

-O Luizinho está indo bem no colégio, sabe tudo de inglês!

-Inglês? Guri bom! Puxou ao pai!

-Reginaldo, a menos que você tenha usado estes quatro anos para aprender alguma coisa! Você saiu daqui sem sequer falar português direito…

-Ácida como sempre! Mas não vamos falar sobre isso. Sentiu minha falta?

– Só na primeira semana, depois não. Podia ter avisado, né?

– É verdade, meu amorzinho, mas o importante é que voltei!

– Verdade, Ih! Você trouxe Coca Cola comum? Zé Carlos está de regime, troca por uma Coca Zero?

 

Bateu a porta de casa em companhia da sua desprezada Coca Cola, resignado e com receio de perguntar quem era Zé Carlos.

Achou melhor voltar depois do Natal.

Só não decidiu de qual ano.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.