Como a revista Mad incentivou o espírito crítico dos leitores
Revista Mad
Fundindo a Cuca

Como a revista Mad incentivou o espírito crítico dos leitores

Tempo de leitura: 2 minutos
‘Questione a autoridade’ era um dos princípios editoriais da publicação
Que deixará de oferecer material inédito depois de 67 anos

 

Talvez Alfred E. Neuman esteja, finalmente, preocupado. A revista satírica Mad anunciou nos Estados Unidos que irá cessar a produção de material novo. A publicação completou 67 anos de existência em 2019.

“Quem, eu me preocupar?” era o bordão do mascote que aparecia em quase todas as capas, um sujeito de aspecto aparvalhado e com um dente a menos.

Fundada em 1952 por um grupo de editores liderado por Harvey Kurtzman, a revista passará a publicar apenas trabalhos antigos, selecionados de seu amplo acervo.

Material inédito apenas em livros e edições especiais. A publicação também não será mais vendida nas bancas americanas, apenas em livrarias de quadrinhos e por assinatura.

No seus melhores dias, a circulação da revista passava dos dois milhões de exemplares mensais. Em 2017, o número era de aproximadamente 140 mil.

Em 2018, o comerciante americano Doug Gilford criou um site com as capas de todos os números da edição americana da revista.

É possível consultar um índice com o conteúdo de cada edição desde 1952.

Além das contribuições de todos os criadores de textos e desenhos da revista.

FOTO: REPRODUÇÃO
Como a revista Mad incentivo espírito crítico dos leitores

 

A revista foi publicada no Brasil entre 1974 e 2017

Quase sem interrupções, por diferentes editoras e bastante conteúdo local. Entre os colaboradores da Mad nacional, estavam nomes como Nani, Marcatti, Xalberto e Carlos Chagas.

No Brasil a recordista foi a edição 20 da [editora] Vecchi (Tubarão na capa), cuja tiragem foi de 210 mil.

Depois estabilizou-se em 150 mil. 

Quando esteve na mão da [editora] Record também voltou a este patamar na época do Plano Cruzado  e aos poucos foi caindo e parou em 2000 quando vendia 8 mil, afirmou Ota Assunção, cartunista e editor da Mad brasileira por 34 anos.

 

Sátira e espírito crítico

Qualquer pessoa ou instituição podia ser alvo de Mad.

Que voltava seu humor na direção de filmes, programas de TV, autoridades, políticos, celebridades, intelectuais, religiosos, cientistas, modismos, costumes, propaganda, marcas e produtos.

Muitos comentaristas consideram que a revista foi pioneira em uma abordagem cética em relação às mensagens emitidas pela mídia, empresas e políticas.

Graças ao olhar impiedoso da Mad, gerações aprenderam a questionar e serem mais críticos em relação à aparência e o discurso de muitas coisas.

A Mad pregou a subversão e a verdade sem adulteração em uma época em que o chamado jornalismo objetivo mostrava deferência às autoridades, escreveu Michael J. Socolow, professor-associado de jornalismo e comunicação da Universidade do Maine.

Enquanto apresentadores regularmente papagaiavam afirmações governamentais questionáveis, a Mad chamava de mentirosos os políticos que mentiam.

 

Segundo John Ficarra, editor-chefe da revista entre 1985 e 2018, a missão editorial foi sempre a mesma:

Todo mundo está mentindo para você, incluindo as revistas.

Pense por si mesmo.

Questione a autoridade.

 

Originalmente no Jornal Nexo.

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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.