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Como são felizes, não?

Como são felizes, não?

Onde moro não existe silêncio. Talvez nem saibam o que significa. Há um desespero imediatíssimo de berrar aos quatro cantos o preço do mamão papaia, do gosto musical duvidoso e das discussões que mantém todo casamento. Aqui há a necessidade de se autoafirmar pelo tumulto e pelo grito. Em alguns momentos só Sinatra salva, lógico

Tempo de Leitura: < 1 minuto

Onde moro não existe silêncio.
Talvez nem saibam o que significa.

Há um desespero imediatíssimo de berrar aos quatro cantos o preço do mamão papaia, do gosto musical duvidoso e das discussões que mantém todo casamento.

Aqui há a necessidade de se autoafirmar pelo tumulto e pelo grito.
Em alguns momentos só Sinatra salva, lógico que acompanhado de um bom par de fones de ouvido.

Aqui se berra pela janela para trocar receitas de bolo ou apenas para chamar alguém.
Aposentando e colocando em desuso o até então bom e velho interfone.

Aqui não existe qualquer regra de educação.
Pensam que abandonando o lixo do churrasco no chão do prédio fazem um enorme favor mantendo o emprego do funcionário da limpeza.

Aqui se deixa a portaria aberta em qualquer horário.
Afinal vivemos em um lugar de segurança máxima em que as taxas de criminalidade são baixíssimas, não?

Aqui se faz festa regado a cerveja e churrasco todo fim de semana.
Com chuva ou com sol toda a felicidade em se socializar com quem mal conhecemos é colocada para fora neste ritual de descarrego comunitário.

Como são felizes, não?
A mim sobram o “bom dia” e “boa noite” regulamentares e que bastam para quem é antissocial a ponto de escrever este texto.


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