Darwin: o homem que matou Deus
Fundindo a Cuca

Darwin: o homem que matou Deus Por Alexandre Versignassi e Rodrigo Rezende

Tempo de leitura: 3 minutos
Sempre há quem reclame, mas nada muda um fato:
Ele desvendou o maior mistério da biologia,
E tornou dispensável a ideia de criação divina

 

E Charles Darwin criou o homem.

Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem.

Antes dele, éramos o centro do Universo, a obra sublime da criação.

Agora somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial.

Nada mesmo: a Teoria da Evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó – uma simples molécula.

Assim, mostrando como a vida evolui, Darwin dispensou Deus do cargo de criador e seus seguidores do século 21 querem fazer algo ainda mais chocante: mostrar que não passamos de escravos a serviço dos verdadeiros donos deste planeta.

Ah, tem mais: a teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros e mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também.

Quer saber como?

Então vamos embarcar no velho Beagle.

Primeira escala: o inferno.

 

O inferno de Darwin

O solo repleto de lava negra estava coberto de lagartos e tartarugas monstruosas.

Caranguejos escarlates corriam por todos os lados.

O calor era tão forte que atravessava as botas e queimava os pés.

Cercado por uma vegetação composta de cactos de 3 metros de altura, girassóis do tamanho de árvores e arbustos desfolhados, Darwin escrevia em seu diário:

“A superfície seca e crestada, aquecida pelo sol do meio-dia, deixava o ar abafado, quente como em um forno.Tínhamos a impressão de que até os arbustos cheiravam mal”.

“Esse lugar é o inferno!”, dizia Robert FitzRoy, capitão do navio de pesquisas Beagle, que levara o jovem Charles Dar­win às Galápagos, um arquipélago no oceano Pacífico.

FitzRoy queria um cavalheiro a bordo para lhe fazer companhia.

E o abonado Darwin, de 22 anos, acabou escolhido, principalmente porque estava estudando para virar padre – mas também porque FitzRoy gostou do formato do nariz dele, que “sinalizava profundidade de caráter”.

 

O capitão tinha dois objetivos para a viagem

Um a serviço do Império Britânico: mapear a costa da Patagônia.

Outro, pessoal: encontrar provas científicas de que o mundo tinha sido criado de acordo com o que está na Bíblia.

Mal sabia ele que o assassino de Deus estava a bordo.

A paisagem infernal das Galápagos, onde aportaram em 15 de setembro de 1835, após quase 4 anos de expedição, era um paraíso para Darwin.

Ele pintou e bordou com tudo o que pôde naquele lugar perdido no tempo.

Pegou carona nas tartarugas (“Era difícil manter o equilíbrio.”), tirou onda com as iguanas (“Ela ficou olhando para mim como se quisesse dizer: Por que você puxou a minha cauda?”) e encheu o bucho de iguarias exóticas (“Tatu é um prato excelente quando assado em sua carapaça.”).

 

De quebra tirou de lá a inspiração para a ideia mais importante e assustadora da história da ciência

O gatilho para esse pensamento veio quando ele percebeu diferenças instigantes entre os bicos de uma espécie de passarinho das Galápagos, os tentilhões.

Em uma ilha eles tinham bicos grossos, bons para quebrar nozes.

Em outra, longos e finos, ideais para arranjar comida em frestas.

Darwin imaginou que aquelas aves deviam ter se adaptado de algum jeito.

Por mágica? Não: por um processo de seleção que levou gerações.

 Em ambas as ilhas teriam nascido pássaros de bico fino e de bico grosso.

Naquela onde havia nozes para comer, só estes últimos teriam sobrevivido.

A partir desse raciocínio simples, nascia um monstro.

 

Originalmente na Revista Super Interessante.

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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.