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Tempo de Leitura: 3 minutos

Do que você tem saudades?

Do que você tem saudades?

Fui criada nos anos 90. Aquela década carregava um curioso misto entre um sentimento de ansiedade pela Nova Era dos anos 2000 e a densa nostalgia pelos encantos dos anos 80. E foi bem isso: Eu vivi em 1990 o que poderia ser bem um encontro brutal entre o que hoje é visto como retrô

Tempo de Leitura: 3 minutos

Fui criada nos anos 90.

Aquela década carregava um curioso misto entre um sentimento de ansiedade pela Nova Era dos anos 2000 e a densa nostalgia pelos encantos dos anos 80.
E foi bem isso: Eu vivi em 1990 o que poderia ser bem um encontro brutal entre o que hoje é visto como retrô e previsões futuristas incríveis.
O mundo estava para acabar em 99, lembra disso?
Depois prorrogaram o prazo para 2012 e, finalmente, resolveram iniciar a destruição em 2020.

No fundo, muita gente nem presta tanta atenção a isso, mas a realidade é que foi nos anos 90 que tivemos, de fato, um pulo gigantesco do mundo analógico para o mundo virtual.
Claro que isso não aconteceu de um dia para o outro, mas é bom lembrar sempre que até antes dos anos 2000 a maior parte das pessoas não tinha celular, as TVs eram pesadas e não ultrapassavam as 29 polegadas, tínhamos que alugar filmes e os CDs eram um luxo a parte para quem apreciava música.

 

As coisas, de lá para cá, mudaram de forma assustadora; para melhor e para pior.

Foi bom passar a ter um acesso irrestrito ao mundo inteiro através de uma internet que, ao longo do tempo, se tornou mais rápida e, sendo bem otimista, progressivamente inclusiva.
Por outro lado, as interações humanas foram levadas a outro nível, e as crianças pararam – quase em sua totalidade – de jogar bola, soltar pipa, andar de skate e fazer atividades ao ar livre. Trocaram a vida real pela maldita tela de qualquer smartphone superfaturado.

Evoluímos… e também recuamos, tanto moral quanto intelectualmente.

Mas para uma pessoa adulta, criada nos anos 90, poucas coisas têm um valor sentimental quanto nosso apego afetivo pela Rede Manchete.
Pelo menos de forma midiática, já que também é impossível não sentir falta das correntes de bala, da Cherry Coke, das balas de tamarindo, do suspiro e do sorvete quente ( que nem sorvete era, na realidade).

 

Mas a Rede Manchete era qualquer coisa inexplicável.

Entre os obscuros programas e propagandas nada saudáveis que a TV aberta tinha coragem de veicular em horário nobre, tínhamos a felicidade de conseguir ver Cavaleiros do Zodíaco, YuYu Hakusho, Shurato, Samurai Warriors e tantos outros desenhos que nos distraíam e moldavam, sem que pudéssemos realmente nos dar conta.

De todos, o meu desenho favorito foi Cavaleiros do Zodíaco.
Pois é, o enredo não era exatamente coerente, mas foi dali que eu e muitos infantes e jovens começaram a se interessar por mitologias diversas.
O Seiya de Pégasus estava sempre apanhando, é bem verdade. Mas a lição que podemos contrair disso é que, não importa o quanto você apanha se você for suficientemente teimoso para ir até o fim em seus propósitos.
Com os 5 jovens cavaleiros de bronze – que, descobri anos depois, na revista Herói, eram todos uns pirralhos – aprendemos que devemos trabalhar em grupo, por que “dividir para conquistar” nem sempre com que as coisas sejam mais fáceis.
E não é como se gritar “Vai, Seiya!” funcione, caso vocẽ não consiga resolver seus problemas.
Mais que tudo, aprendemos que o que acontece na casa de Libra, não fica na casa de Libra, afinal de contas, cada um se vira como pode quando o frio chega.

 

Brincadeiras à parte, posso dizer que fui uma criança feliz.

E mais feliz ainda por ter sido criada com um desenho exageradamente violento que não me transformou em uma assassina.
Se eu tenho saudades de tudo nos anos 90?
Claro que não…
Mas algumas coisas, como as músicas dos animes, me fazem repensar como era bom ser criança quando a internet praticamente não existia para nós.

Do que você tem saudade?

 


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