Filósofo defende importância de ficar em silêncio

Filósofo defende importância de ficar em silêncio

 

O pensador francês David Le Breton é doutor em Sociologia pela Universidade Paris VII e professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Ciências Humanas Marc Bloch, de Estrasburgo e publicou recentemente um livro chamado Silêncio, louvor de andar e desaparecer de si mesmo: Uma tentação contemporânea, no qual, a fim de combatermos a desumanização dos dias atuais ele acredita ser necessário apostar em formas concretas de resistência.

 

Há alguns anos venho preferindo o silêncio ao tumulto.
Mesmo que soe estranho visto que trabalho com música e nos ambientes “barulhentos” do rock.
Porém quando consigo ficar em silêncio ou sozinho em casa percebo com mais nitidez meus raciocínios mais distantes.
E como resultado descubro minhas preferências e assim amplio ângulos de compreensão que poucas vezes tinha identificado. 
Esta percepção que tenho dos efeitos do silêncio em mim não difere muito das idéias deste filósofo francês, sendo que ele defende que silenciar é uma forma de resistência.
Resistência por ser uma maneira de nos defender de todo tipo de desvio de atenção que nossos dispositivos eletrônicos atuais nos induzem.
Afinal de contas, quem resiste a uma olhadinha em alguma das nossas redes sociais?
Vou além, já pensou sobre o excesso de informações que agregamos todo dia e que curiosamente este conhecimento em sua maioria é vago, fútil ou/e negativo?
E neste caso percebo que silenciar me deixa mais apto a me conhecer melhor e que me distanciar de ruídos me aproxima de mim mesmo. 

 

Você já tentou ficar um dia inteiro sem acessar seu Facebook?
Ou sem celular por um único dia?

 

Ou mesmo deixar de dar aquela olhadinha a cada aviso no celular de e-mail recebido, mensagem de Whatsapp ou de curtidas noInstagram?
Sim, um dia inteiro. Já tentou?
Eu consegui uma única vez.
E como resultado percebi minha produtividade triplicar tanto quanto percebi minha concentração voltar a um nível razoável.

 

As primeiras horas são as mais difíceis tendo em conta o hábito vício de puxar o celular a qualquer aviso.
No meu caso deixá-lo desligado foi a saída.
Radicalizei mesmo.
E daí me percebi lendo umas 50 páginas de um livro sem me distrair.
Observando que já não conseguia fazer isso há muito tempo.
E ainda terminei alguns textos meus que eu tinha muita dificuldade em finalizar.
Esta minha experiência foi amplamente positiva apesar do questionamento posterior de conhecidos estranhando minha ausência.
Faz parte.
O autor defende a meditação como uma forma de nos encontrar com nós mesmos e daí termos um espaço de reflexão diária.
Eu poderia humildemente complementar dizendo que ficar em silêncio é o momento de fazermos nossa própria sessão de terapia.
De olharmos para dentro e como resultado tentarmos entender o que estamos fazendo conosco.
De tentarmos entender o que fazemos por aqui e consequentemente de sermos quem somos sem máscara ou sem personagens.
E que dentro de nós temos pensamentos que não falamos nem mesmo na terapia.
Descobrir esse alguém que muitas vezes pode nos assustar.
Nós mesmos.

 

Link original da revista Mais Vibes.
Ficar em silêncio e caminhar são formas de resistência. 

Comente e deixe sua mensagem!

 

Facebook Comments

Posts Relacionados

Melhores em quê?   Hábito que ninguém sabe de que lugar veio e apenas mascara uma necessidade competitiva que sabemos não ser saudável, nem individualmente nem c...
O dia que morri Naquela manhã pouca coisa me faria não agir mecanicamente no caminho ao trabalho   Mais um chuvoso dia do mês de agosto que ditava a monoc...

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.