728 x 90
Tempo de Leitura: 2 minutos

I drink alone por Mario Bortolotto

I drink alone por Mario Bortolotto

E eu moro na Rego Freitas. E é uma rua boêmia. Ainda é. Uma das últimas ruas em São Paulo com botecos mal afamados que ficam abertos de madrugada, mesmo nos domingos. Deus sempre soube onde podia me jogar. E eu desço e entro em algum deles. E peço um Passport com duas pedras de

Tempo de Leitura: 2 minutos

E eu moro na Rego Freitas.

E é uma rua boêmia. Ainda é.
Uma das últimas ruas em São Paulo com botecos mal afamados que ficam abertos de madrugada, mesmo nos domingos.
Deus sempre soube onde podia me jogar.

E eu desço e entro em algum deles. E peço um Passport com duas pedras de gelo. E fico num canto do balcão sacando o movimento e vejo o entra e sai das criaturas noturnas. E me sinto em casa. E gosto de não ter que discutir com ninguém.
Gosto apenas de ficar quieto, pensando em um texto que quero escrever, com uma música insistente no walkman acoplado no meu cérebro.
Gosto de saber que ninguém de fato está se importando com a minha presença. Todos eles tem mais com o que se preocupar.
Gosto de saber que eu também sou apenas mais uma criatura noturna sem nenhuma pressa de voltar pra casa.

E é só isso que tem me salvado.

Esses momentos de hotéis abandonados, estacionamentos vazios, bíblias que não se explicam e cartilhas com prazos de validade.
São esses momentos de total afastamento (eu jamais diria “isolamento”) é que me forjaram e que hoje já estão mais que sacramentados.
Então se há algo que eu consigo me sentir a vontade para dizer para os mais jovens é:

“Não tenham medo da solidão, não tenham medo da própria companhia, pelo contrário, desfrutem dela, quebrem um pau com ela, mas não a deixem ir embora.
A solidão é a melhor e mais fiel amiga de vcs”.

Então é possível voltar pra casa, leve, parar em um outro boteco e pedir mais uma dose.
Você vai embora sozinho e não há nada que você possa fazer em relação a isso.
Vai ser assim pro resto da vida de vocês, mesmo que você não tenha escolhido ficar sozinho.
Você está. E isso é um fato incontestável.
Acostume-se.
Você vai perceber que nem é tão ruim assim.

 

Texto sempre necessário de Mario Bortolotto.


Nos siga também no Facebook e no Instagram!

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

Sugestões de Leitura

Vale a Leitura!

Descomplica pós