Joia em estado bruto

Joia em estado bruto

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Joia em estado bruto é como trato todo texto ou mesmo ideia primitiva que eu consiga passar do raciocínio para o papel.

 

Procuro por palavras rasas em letras de forma que possivelmente estejam adormecidas em alguma enciclopédia empoeirada.

Caço pensamentos profundos anotados em receitas de bolo já imortalizados nos livros rabiscados da vovó.

Busco por desculpas esfarrapadas que estejam refugiadas no fundo falso de uma bíblia.

Persigo por mapas que me indiquem algum destino a seguir ou uma mensagem abandonada em uma garrafa jogada ao mar.

 

Ambiciono bilhetes de amor enviados por pombos correio assim como tragédias gregas transcritas em código Morse.

Em algum dia espero receber boas novas pelo telejornal e palavras sutis que me confortem ao telefone.

Receber ao menos um cartão de aniversário em vida tanto quanto inúmeras cartas de amor sem remetentes e com grafias diferentes.

Decifrar teorias filosóficas escondidas em post-its assim como ignorar discursos inflamados escritos em papel higiênico.

 

Imortalizar uma carta de despedida recebida no dia seguinte e interpretar uma lista de compras sem item algum.

Polemizar em textos reacionários sobre aquilo que nunca compreendi ou mesmo testemunhei.

Perpetuar minhas dúvidas nestas páginas e fingir conhecimento em outras tantas.

Verbalizar o que julgo conhecer, o que me incomoda e o que necessito expurgar.

 

Foto por Dreamstime.


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.