José Saramago e a indiferença social
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José Saramago e a indiferença social

Tempo de leitura: 2 minutos
Uma das obras mais famosas e célebres de José Saramago
É Ensaio sobre a Cegueira

 

Romance este que convida a uma reflexão profunda sobre a alma humana e sobre o que aos nossos olhos parece invisível.

José Saramago foi a voz mais autoritária da literatura portuguesa.

E o refinamento de sua escrita lhe valeu o Prêmio Nobel, mas não menos importante foi seu compromisso do ponto de vista político e social.

Obras como “Ensaio sobre a cegueira” são um meio excepcional de catarse, um ponto de partida para a reflexão filosófica, um convite claro para “acordar”.

De José Saramago diz-se frequentemente que ele era um agitador de consciências.

Ele nunca desistiu de denunciar as injustiças e sempre assumiu uma posição clara contra os conflitos de sua época.

Em uma de suas palestras, ele se definiu como um escritor apaixonado, impulsionado pela necessidade de levantar cada pedra.

Mesmo sabendo que monstros reais poderiam estar escondidos embaixo.

A busca da verdade e o desejo de estimular a mente eram os ingredientes de um estilo literário único.

Suas parábolas, construídas com imaginação, ironia e compaixão, desenham uma realidade que ninguém pode permanecer indiferente.

Foi o escritor mais brilhante que Portugal nos deu.

Isso ao lado de outros nomes ilustres como o de Fernando Pessoa e Eça de Queiroz.

Sua provocativa, mágica e perturbadora obra nos convidou a analisar o presente através de seus olhos.

Os três males do homem moderno são a ausência de comunicação, a revolução tecnológica e uma vida centrada no triunfo pessoal.

 

Ensaio sobre cegueira

“Nós não somos cegos, mas nós não vemos”.

Essas palavras resumem bem a metáfora argumentativa de uma das obras mais perturbadoras de Saramago.

Em Cegueira, falamos sobre a incapacidade dos seres humanos de reconhecer o próximo.

As pessoas de repente se transformam em criaturas mesquinhas, seres cegos que precisam da orientação dos outros para entender as coisas e sobreviver.

O romance é uma profunda reflexão sobre a alma humana.

É um conto distópico, que mantém você preso.

Até pela curiosidade de descobrir por que essa estranha forma de cegueira afetou a população e continua a se espalhar como uma infecção.

As coisas precipitam quando o governo decide colocar em quarentena os doentes, sujeitando-os a formas estritas de controle.

Entre os protagonistas da história, só se pode ver: uma mulher que acompanha o marido naquela prisão, emprestando-lhe, por sua vez, seus olhos para ajudá-lo em tudo o mais.

No entanto, todo o cenário não é menos opressivo.

A higiene é escassa, os soldados não hesitam em atirar em quem chega perto demais e a degradação começa a se espalhar e lentamente, a situação assume a forma de uma verdadeira ditadura.

O caos reina e a esperança é consumida inexoravelmente.

Uma obra em que nos é mostrada a cegueira interna do ser humano. Essa incapacidade de reconhecer um ao outro e que evoca egoísmo, perda de razão, conflito e medo.

Um cenário perturbador, através do qual Saramago convida a uma reflexão moral corajosa.

Ensaio sobre a Cegueira é um livro chocante.

Se trata de um marco na literatura contemporânea que vale sempre a pena redescobrir ou descobrir pela primeira vez.

 

Adaptado de lamenteemeravigliosa.


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.