Mamãe maluquinha por Catarina Oliveira
Fundindo a Cuca

Mamãe maluquinha por Catarina Oliveira

Tempo de leitura: 2 minutos
Acordar pela manhã e perceber que não consegue se situar no tempo. Olhar o céu nublado lá fora, buscar o sol, sentir o ar, respirar fundo e acompanhar o balanço das árvores.

Você está de ressaca.

Ressaca de tempo, de compromissos mil, de correria diária, de responsabilidades, contas…

Ressaca dessa loucura toda.

 

Sentada aqui, na soleira da porta, olhando pra fora, quero tomar porre de vida.

Um porre dos meus filhos, um porre de gargalhadas para apagar um pouquinho dessa dureza toda.

Quero esquecer as dívidas, as contas, os relatórios e as disputas.

Quero apagar a necessidade de ir ao mercado ou à padaria.

Quero apagar a necessidade de limpar a casa, lavar roupa tanto quanto de pentear os cabelos. 

 

Quero vida! Tenho sede de alegria!

Tenho fome de ser apenas aquilo que sou quando nenhum rótulo me prende.

Levantar e deixar todos eles ali no cantinho só por hoje.

Ser apenas essa mulher, essa menina que ainda habita em mim.

 

E me pego como uma princesa de desenho animado cantando para as árvores do quintal.

O papagaio me acompanha balançando de um lado pro outro e parece gostar.

Os cães também, abanam o rabo e o filhote até dança comigo.

Os passarinhos do alto das árvores olham curiosos, canto para eles também e então nessa cena pitoresca me pego rindo do nada, da bobagem que sou, da alegria que me inunda quando ouço ao longe uma vozinha vinda do portão. 

Meu caçula acordou.

Vida real chamando, pego todos os rótulos e os visto outra vez.

Pego ele no colo e ainda sentindo os efeitos do devaneio anterior dou um bom dia cantado ao que ele responde com um sorriso e uma dancinha.

Ele me diz: “Mamãe maluquinha”

Que bom! Ziraldo concordaria  com ele.

Esse rótulo é bem legal de levar. 

 

Por Catarina Oliveira é profissional, casada, mãe de três meninos, tá sempre correndo e não tem secretária. Fez uma escolha doida dez anos atrás: ter uma carreira e filhos!😎 E ainda escreve no Não sei como ela consegue. 

Nem eu sei!

Foto por Noah Siliman na página Unsplash.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

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