Minha Cunegundes II
Croniquetas e Papo furado

Minha Cunegundes II

Tempo de leitura: 2 minutos
Mais uma ida ao bar me traz vários entendimentos.
Várias compreensões de quem sou e do que busco, do que preciso e do mereço, daquilo que sou e quem penso que sou.
Tudo isso em um boteco 

 

Rumei sozinho para o mesmo bar que costumo ir.

Mesma mesa, mesmo garçom alérgico a cigarros, e lógico, a mesma cerveja em garrafa que metodicamente peço sempre.

Dou aquela olhada em volta e identifico os mesmos habitués do local. Cumprimentos lançados aos que costumam responder com um aceno.

Saco papel e caneta (hoje eu trouxe!) e começo a definir em palavras o porquê de estar ali, sozinho há meses e sem um alguém em vista.

Explicando que escrever em mesa de bar é um habito que adquiri há pouco tempo.

Já o álcool não, esse vem de bem antes.

 

E começo a minha lista:

Exigências demais vindas de mim?

Falta de paciência para os fatídicos joguinhos?

Medo puro e simples de me estrepar de novo?

Incompatibilidade de gênios?

Muita bagagem para carregar em um momento que meu carrinho de mão não tem rodas?

 

Só sei que a lista era bem mais extensa e não irei me prolongar aqui e encher a paciência de você, leitor, com divagações que se me ajudam a esvaziar esse meu velho 386 que chamo de cérebro, no entanto não me dará todas as respostas que procurava.

Parti então para minha listinha e procurei inserir nela aquilo que chamam de corriqueiro e que hoje chamo de simples-essencial:

 

*Procuro por alguém que ache delicioso passar uma tarde de chuva embaixo de um edredom, abraçados assistindo ao Príncipe em Nova York, e que além de repetir as falas comigo consiga rir da dublagem nacional.

*Que ache único andar de mãos dadas na praia em um dia nublado aproveitando para fazer piada daqueles que só aproveitam a natureza quando tem sol.

*Invoco a alguma entidade superior que me apresente quem seja capaz de num momento único de leveza, me ligar apenas pra dizer que me deseja e em seguida desligar o telefone na minha cara sem mesmo me dar tempo de desfazer o sorriso que nela ficará visível.

*Alguém que quando deitados se encaixe perfeitamente ao meu abraço.

*Aquela pessoa que termina uma frase quando eu a começar.

 

Sabe aqueles momentos que de tão simples se tornam tão especiais?

Pois bem, falo destes mesmos.

Assim que acabei de preencher os dois lados da minha folha de papel, me vi diante de três garrafas vazias e uma lista de dúvidas e frustrações. Foi aí que percebi que com tantas demandas não estava deixando espaço livre para que esse alguém passasse a existir. Que surgisse.

 

José Castello estava certo quando disse que a tristeza não é outra coisa senão o excesso de realidade.

A fé excessiva no real asfixia e nos torna intoleráveis.

Cheguei à conclusão que amar e ser retribuído é como ganhar o Nobel e receber o prêmio em beijos e sussurros.

 


 

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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

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