Montaigne tem um conselho para quem trabalha demais por Tiago Cordeiro

Montaigne tem um conselho para quem trabalha demais por Tiago Cordeiro

Michel de Montaigne (1533-1592) era um admirador de Sócrates,
e não apenas por motivos intelectuais

 

Não há nada mais notável em Sócrates do que ele ter encontrado tempo para aprender a dançar, dizia. O filósofo francês não admitiria o ritmo de vida de um profissional do século 21, multitarefa e sem tempo para nada.

Quando eu danço, eu danço; quando eu durmo, eu durmo, escreveu.

 

Numa época em que os pensadores valorizavam os escritos longos e difíceis, Montaigne passou a fazer textos curtos, ele queria resgatar a ideia da filosofia da Antiguidade de guia para a vida das pessoas comuns, afirma o historiador de filosofia Thomas Dixon, professor da Universidade de Londres e autor de Science and Religion: A Very Short Introduction (“Ciência e Religião: Uma Breve Introdução”, ainda não lançado no Brasil).

 

Neste esforço, Montaigne trouxe à tona um conceito de Cleantes (330 a.C. – 225 a.C.), filósofo grego que ganhava a vida carregando tinas de água, mas preferia trabalhar à noite, e apenas o mínimo necessário, para ter tempo de pensar durante o dia. Ele defendia um conceito muito simples: trabalhe para viver, mas não viva para trabalhar.

Você não somente será mais realizado na vida pessoal, como se tornará um profissional mais criativo.

 

Montaigne também defendia este raciocínio. Dizia que muitas das maiores dificuldades que uma pessoa experimenta na vida são imaginárias.  de pensar nos riscos e ameaças a que estamos sujeitos já sofremos por antecipação.

Para ele, trabalhar demais pensando em garantir o futuro ou a estabilidade dos filhos e netos não é uma forma recomendável de se viver, afirma Dixon.

“Melhor é aproveitar a vida em todos os momentos.”

 

Imagem por André Bergamin.


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.