O hábito de fingir saber tudo

O hábito de fingir saber tudo

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O péssimo hábito de julgar sem analisar qualquer fato talvez seja uma das nossas características mais irritantes nos dias de hoje

 

A acessibilidade das mídias sociais nos disponibilizou a quase obrigação de que todos têm em emitir opinião sobre tudo e sobre qualquer assunto.

E nós acreditamos nisso.

Quase que narcisisticamente temos pressa em demonstrar um falso conhecimento.

E como consequência dessa urgência o que vemos hoje são avaliações rasas e superficiais baseadas em leituras avoadas dos assuntos, quando muito.

 

De fato o que vemos mesmo são julgamentos.

Julgamentos de conduta, moral e de comportamento baseados unicamente na manchete de qualquer notícia.

Afinal somos uma nação feita de bem feitores, acima de qualquer dúvida moral, não?

Ou nos escondemos atacando os defeitos dos outros?

O conteúdo e seus vários possíveis interesses, além do papel jornalístico, são ignorados, assim como o discernimento.

Tanto quanto são ignoradas uma avaliação ampla do ocorrido e de bom senso.

Já que ambas são especialmente deletados em prol de levantar sua bandeira opinativa.

Qualquer que seja.

 

De maneira infantiloide achamos sentido no “eu te disse, eu te disse” do antigo personagem de desenho animado

E a partir daí sentimos mais necessidade em provarmos que sabemos mais.

Isso mesmo que estejamos muito distantes de qualquer ideia equilibrada e que não nos percebamos obrigados a tomar partido por um dos lados.

Atingimos a plenitude da antiga máxima de que todo brasileiro é um técnico de futebol.

E como sequência do que percebo, concluo que hoje temos a chance de saber muito sobre muitos assuntos.

Na verdade preferimos fingir que sabemos.

 

Somos uma espécie de pátria de sabichões 

Em que cada um que tem sua opinião formada não abre espaço mínimo para ouvir outras percepções e nisso nos fechamos em grupelhos e nichos.

Hoje discutimos sobre neurocirurgia, duvidamos sobre os programas espaciais, debatemos sobre ciência de foguetes, palpitamos sobre jogo do bicho e argumentamos sobre a utilidade da geologia com a mesma propriedade de um PHD.

Hoje somos os experts sobre “nada” ao mesmo tempo que fingimos saber “tudo”.

Isso sem se aprofundar e em muitos casos nem buscando as fontes de determinada afirmação.

E além disso tudo nem nos percebemos expondo a quem quiser ouvir ou ler todos os nossos preconceitos.

Aqueles mais profundos.

E acredite eles são muitos e mostram quem realmente somos.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.