O meu melhor sorriso
Croniquetas e Papo furado

O meu melhor sorriso

Tempo de leitura: 3 minutos
O meu melhor sorriso, aquele mais verdadeiro é o que emito ao fazer aquilo que amo.
E não maioria das vezes nem mesmo percebo

 

Para quem não me conhece eu sou este cara risonho da foto e junto lhes apresento o meu melhor sorriso.

Ah! E além de escrever neste espaço eu também sou baixista de uma banda de hardcore (Diabo Verde), posição que ocupo há 6 anos e instrumento este que venho tocando em várias outras bandas de rock por mais de 25.

E honestamente nunca havia me percebido com um sorriso tão uvular, tão feliz e honesto.

Nunca me percebi tão feliz.

Pelo menos ali.

 

E para um cara que nunca foi muito honesto com seus sentimentos e que por criação e necessidade nunca foi afeito a demonstrar sentimentos foi na realidade o que mais me assustou.

Já tinham me dito que tenho um sorriso bonito, porém seguindo minha lógica defensiva e fechada  como Fort Knox nunca o recebi como elogio pleno, apenas porque não sabia como reagir a ele.

Na verdade ainda não sei, mas tenho avançado em furar este bloqueio ainda que devagar como qualquer mudança que “imponho” em minhas defesas.

E também percebi que meu melhor sorriso aparece quando despacho todo peso que insistentemente carrego.

Tive que reconhecer que meu sorriso mais franco aparece gratuitamente e eu nem mesmo percebo.

Mas nem sempre foi assim.

Na verdade, nem sempre é assim afinal eu ainda fico tenso, suado e concentrando ao (meu) extremo antes de subir.

Porém já me vi muito mais preocupado e emburrado (não é Baiano?) em outras ocasiões.

 

Além do peso que citei acima, tenho que lidar com perguntas do tipo:

“Mas esse negócio de rock dá dinheiro?”

E caso tivesse alguma vontade de responder educada e aprofundadamente eu diria:

 

Ainda não, mas me deu a maioria das minhas amizades e me abastece de esperança (que mantenho viva até hoje), consegue me fornecer aprendizados mais eficientes do que qualquer estudo em como conviver em grupo e lidar com pessoas absolutamente diferentes de você, me inseriu a disciplina necessária em praticar meu instrumento por várias horas e além disso tudo me presenteia com momentos memoráveis daqueles que levo pra vida inteira.

 

O que mais posso pedir?

Lógico que além dos momentos felizes identifico também os constrangedores, os tensos e os ruins por si só.

Porém hoje, com a vivência adquirida, tenho conseguido agregar momentos de descontração e absolutamente relaxados mesmo em situações adversas.

Resumindo, já consigo me blindar.

Muitas vezes, no palco, me percebo como se estivesse em transe.

E hoje mesmo que não acredite em felicidade contínua, mas sim em momentos felizes, sinto algo próximo ao que defino como minha felicidade.

 

É ali que quero estar.

E não importa caso tenha que ficar longe da família, da minha casa e da minha rotina (que eu adoro!). 

Ou mesmo tenha que passar 8 horas viajando apertado em uma van, dormir pouco ou quase nada e depois disso tudo (e outras muitas situações que não caberiam aqui) ainda ter que ir ao meu trabalho formal.

Entendam e não se enganem, não há nenhum glamour.

 

Eu hoje entendo que cada pessoa tenha sua maneira de se sentir feliz.

Uns a acham em uma viagem, outros em um churrasco de domingo, alguns acham reconforto em uma fatia de bolo de chocolate e há aqueles que se sentem plenos com a vitória do seu time de futebol.

Há ainda aqueles que sentem prazer em ficar em casa, em ir sozinho ao cinema ou mesmo em ler um livro.

 

Cada um com suas escolhas e prazeres.

Afinal para um sorriso verdadeiro não existe razão.

O meu motivo, hoje que passei dos quarenta, é ser capaz de perceber mais momentos felizes.

Aqueles que consigam arrancar sorrisos como este da foto e que façam minha úvula vez por outra dar as caras.

E fotografá-los na memória.

 

E se tenho algo de útil a te dizer ao final deste texto é mais que o óbvio:

Tente observar os seus momentos de felicidade, afinal ninguém é feliz o tempo todo.

Ninguém.

 

Foto por MBX fotografia.


Tente se sentir feliz!

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.