neandertal

O neandertal

 

Muitos da minha geração se sentem assim,
Muitos mesmo
 
Em certos momentos me acho jovem, mas na maior parte do tempo aceito que meus mais de quarenta anos me pegam pelo pé e pela memória quase que diariamente. No trabalho, por exemplo, fico me controlando para não citar algum exemplo ou situação que me jogue na masmorra do século passado.
Afinal, eu sou da era pré-computador! Pré-celular!
Mas sobrevivi! E me adaptei parcialmente a estas novidades tecnológicas que tomaram conta das nossas vidas.
Mas nunca esqueço da minha época.
Não tem nem como esquecer.
Afinal eu sou de um tempo arqueologicamente não muito distante, mas que pela velocidade de nossa vida cotidiana parece ter acontecido há muito mais tempo que no século passado.
 
Sou do tempo que Juan Manuel Fangio era o recordista “imbatível” de títulos da Formula 1 e eu achava impossível alguém ganhar mais títulos que ele.
Do tempo que Havaianas era calçado daqueles que não tinham grana para comprar um Katina Surf ou um Raider.
Da época que todos imaginavam o quanto seríamos modernos quando o ano 2000 chegasse e a molecada queria ter um skate voador igual ao do Michael J. Fox.
Do tempo que alugávamos fitas VHS nas locadoras e de vez em quando devolvíamos no prazo. E quando não, pagávamos multa!
Do tempo que a MTV passava clipes.
Dos tempos que rebobinávamos fitas K7 com caneta Bic para economizar as pilhas.
Do tempo que brincávamos na rua até tarde e voltávamos para casa com os pés tão pretos de sujeira da rua que só esfregando com lixa para limpá-los.
Que roubávamos doces e guaraná da oferenda que normalmente deixavam nas esquinas do bairro que moro. E consumíamos todas estas balas e chicletes sem culpa alguma de engordar ou de estar ingerindo açúcar demais. E nem sentíamos medo do santo.
Que para estudar íamos a uma biblioteca.
Não esquentava a cabeça com os amigos que cismavam em me chamar de mergulhador de aquário, piloto de autorama ou pintor de rodapé.
E pasmem!
Que para papear com algum amigo, nós os antiquados, íamos a casa dele!
Hoje parecemos estar tão perto pelas facilidades da tecnologia e tão longe com tantos compromissos e afazeres. Tão distante por termos tantas individualidades que percebo as gerações mais novas com dificuldade em se relacionar.
Só que sozinhos não temos como sobreviver e isso descobrimos quando ainda éramos neandertais.                                                                   

 

Ilustração: Blog do amarildo.(https://amarildocharge.wordpress.com/2013/08/30/charges-do-bau-evolucao/)

 


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